Visita de Darren Beattie ocorre em meio a alertas dos EUA sobre facções criminosas brasileiras
Lívia Gennari Publicado em 11/03/2026, às 10h08
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou a visita de Darren Beattie, assessor sênior do ex-presidente norte-americano Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O encontro está marcado para o dia 18 de março, das 8h às 10h, na Penitenciária Federal de Brasília, conhecida como Papudinha, onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A defesa do ex-presidente havia solicitado, de forma excepcional, que a visita ocorresse nos dias 16 ou 17 de março, alterando a rotina do calendário prisional, que prevê visitas geralmente às quartas e sábados. Na decisão, Moraes destacou que não há previsão legal para alterar os dias de visitação, ressaltando que os visitantes devem se adequar às regras do estabelecimento prisional e não o contrário, preservando a organização e a segurança do local. O ministro também permitiu que Beattie fosse acompanhado de um intérprete, desde que previamente informado à administração da prisão.
O assessor
Darren Beattie é conhecido por sua posição política de extrema direita e críticas a Moraes, sendo que já o classificou como “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”.
O governo dos Estados Unidos chegou a sancionar o ministro brasileiro, acusando-o de autorizar detenções preventivas arbitrárias e de restringir a liberdade de expressão em processos ligados à suposta trama golpista de 2022. Após o anúncio das sanções, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, agradeceu publicamente a Beattie por meio de uma publicação no X.
Encontro ocorre em meio a debate sobre facções brasileiras
A visita do assessor americano acontece em um contexto delicado nas relações internacionais. Autoridades dos Estados Unidos vêm discutindo a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras, decisão que o governo brasileiro busca evitar para não abrir espaço a possíveis intervenções externas.
Na última terça-feira (10), O Departamento de Estado americano declarou que essas facções representam “ameaças significativas” devido ao tráfico de drogas, violência e crimes transnacionais, mas não confirmou uma intenção imediata de rotulá-las oficialmente como grupos terroristas.
No Brasil, o governo Lula monitora cuidadosamente possíveis repercussões externas, enquanto a visita de Beattie evidencia o entrelaçamento de interesses internos e externos, deixando claro que decisões sobre política, justiça e segurança ainda reverberam além das fronteiras do país.