Declaração de Dario Durigan ocorre após críticas do presidente argentino a Lula e ao governo brasileiro durante visita ao Brasil
Letícia Sales Publicado em 27/07/2026, às 11h40
A troca de críticas entre autoridades do Brasil e da Argentina ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (27). O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente argentino, Javier Milei, de "palhaço" ao comentar as declarações feitas pelo líder argentino durante sua passagem pelo país.
Em entrevista à Rádio Jornal, Durigan rebateu as críticas de Milei ao cenário econômico brasileiro e comparou indicadores dos dois países.
"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação lá é muito [alta]", afirmou o ministro.
No último sábado (25), Milei participou, no Brasil, do evento de oficialização da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Durante o discurso, fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu sua prisão.
O presidente argentino também afirmou que o Brasil enfrenta um cenário econômico preocupante.
"Hoje o Brasil caminha para uma crise de dívida derivada do fato de que Lula não fez o ajuste fiscal que a situação exigia, e agora está piorando para ter chances de vencer", declarou.
Ao responder às críticas, Durigan reconheceu que o país enfrenta desafios econômicos, mas descartou a possibilidade de uma recessão provocada pelo aumento da dívida pública.
"Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse, que vai ter problema, porque o Brasil está com mínima de desemprego, mínima de inflação, recorde de balança comercial, safra recorde, desmatamento, porque aqui não passa boiada, porque aqui a gente cuida do meio ambiente ao mesmo tempo que cuida da economia", disse.
Durante a visita ao Brasil, Milei também voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, chamando-o de "lixo careca" após ser impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
Além disso, o presidente argentino acusou, sem apresentar provas, o governo brasileiro de financiar uma campanha contra a Argentina.
"Quem pôs mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina… O governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos saíram do governo do Brasil", afirmou em entrevista à rádio Mitre.
Após as declarações, o governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre a relação diplomática entre os dois países.