A decisão de Moraes ocorre em meio a tensões com Elon Musk
Gabriela Thier Publicado em 21/02/2025, às 18h35
Na última sexta-feira (21), a conta verificada do ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), foi desativada na rede social X. Os usuários que tentam acessar o perfil se deparam com a mensagem informando que "Esta conta não existe".
Horas após a desativação, a assessoria do STF confirmou que a decisão partiu do próprio Moraes, que não atualizava seu perfil desde janeiro de 2024.
A exclusão da conta ocorreu um dia após o ministro ter determinado que a plataforma X, anteriormente conhecida como Twitter, realizasse o pagamento imediato de uma multa no valor de R$8,1 milhões. Essa penalidade foi imposta em outubro do ano passado, devido à recusa da empresa em remover o perfil do blogueiro Allan dos Santos, que havia publicado informações falsas atribuídas a uma jornalista.
Embora o perfil de Santos tenha sido posteriormente suspenso, as informações cadastrais não foram enviadas ao STF, uma vez que a empresa alegou não armazenar esses dados. O recurso apresentado pela X contra a decisão foi negado por Moraes.
Ao tentar acessar o perfil de Santos, que foi removido por ordem judicial, os usuários encontram a mensagem "Conta retida". A notificação "Esta conta não existe" é frequentemente associada à exclusão voluntária pelo usuário.
Diferentemente de Moraes, outros ministros do STF, como Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Flávio Dino, mantêm seus perfis ativos na plataforma e têm realizado postagens regulares nos últimos meses. O perfil de Moraes, criado em agosto de 2017, já apresentava uma atividade reduzida antes da desativação.
Essa ação ocorre em um contexto de tensão entre Moraes e Elon Musk, proprietário da X. Desde sua aquisição da plataforma em 2022, Musk tem defendido uma postura agressiva em prol da liberdade de expressão, resultando na redução da moderação sobre conteúdos considerados ofensivos. O empresário criticou diretamente o ministro pelas suas decisões que levam à suspensão de perfis na rede social.
Além disso, Musk também questiona as ações penais relacionadas aos eventos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília. Em resposta ao descumprimento de ordens judiciais por parte da plataforma, Moraes chegou a determinar a suspensão do funcionamento da X no Brasil em outubro do ano passado, mas posteriormente liberou o acesso após a empresa designar um representante legal no país.