Declarações do presidente argentino ocorreram após críticas feitas durante evento do PL em São Paulo; Itamaraty convocou embaixador em Buenos Aires para prestar esclarecimentos
Lívia Gennari Publicado em 27/07/2026, às 17h11
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o governo brasileiro e afirmou que o Brasil teria financiado parte de uma suposta campanha internacional contra o país durante a Copa do Mundo. A declaração foi dada em entrevista a uma rádio argentina no domingo (26), um dia após o chefe de Estado participar da convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Segundo Milei, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria destinado recursos para uma ação que, segundo ele, buscaria prejudicar a imagem da Argentina. O argentino afirmou que cerca de 25% do dinheiro utilizado na suposta campanha teria vindo do Brasil, além de citar investimentos atribuídos ao México e ao Partido Democrata dos Estados Unidos. As acusações, porém, não foram acompanhadas de apresentação de provas.
A nova ofensiva de Milei ocorre após uma série de declarações feitas durante o evento do PL, quando o presidente argentino criticou integrantes do governo brasileiro e voltou a questionar decisões da Justiça do país. Na ocasião, Milei criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a decisão que negou seu pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante o discurso, o argentino usou o termo “lixo careca” para se referir ao magistrado.
Durante o discurso, Milei também direcionou críticas a Lula, usando termos ofensivos para se referir ao presidente brasileiro. As falas foram classificadas pelo governo federal como “agressões” e provocaram uma reação diplomática. O Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil para prestar esclarecimentos sobre as declarações.
O representante brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, retornou a Brasília nesta semana para uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O encontro é considerado um sinal de insatisfação do governo brasileiro diante do agravamento das relações entre os dois países.
Além das críticas ao Brasil, Milei também comparou a situação envolvendo Bolsonaro com a visita de Lula à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar em seu país. O presidente argentino afirmou que houve tratamento diferente entre os casos e voltou a dizer que considera injusta a situação jurídica do ex-presidente brasileiro.
Quis ver meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram, mas aqui o ex-presidiário [disse em referência a Lula] veio cumprimentar a ré [referindo-se a Cristina Kirchner], não é? Ninguém o proibiu. No entanto, não me deixaram visitar meu amigo que, além disso, está preso injustamente”, afirmou.
A troca de acusações acontece em meio a um período de maior tensão entre os governos brasileiro e argentino, que mantêm divergências políticas desde a chegada de Milei ao poder. Apesar dos conflitos públicos, Brasil e Argentina seguem como os principais integrantes do Mercosul e possuem uma relação comercial estratégica.