Após derrota inédita no Senado, AGU sinaliza saída, mas presidente reforça confiança, pede permanência e avalia novos caminhos políticos para o aliado.
Ana Beatriz Publicado em 05/05/2026, às 10h35
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na noite de segunda-feira (4) com o advogado-geral da União, Jorge Messias, em meio à repercussão da rejeição do nome do jurista para o Supremo Tribunal Federal. No encontro, segundo relatos de aliados ouvidos pela imprensa, Messias indicou a possibilidade de deixar o comando da Advocacia-Geral da União, mas foi demovido pelo presidente, que pediu sua permanência no governo.
De acordo com interlocutores, Lula afirmou ter “irrestrita confiança” no atual chefe da AGU e reforçou a importância de sua continuidade na função. Ambos acertaram uma nova conversa para a próxima semana, após o retorno do presidente de viagem oficial aos Estados Unidos, quando o tema deverá ser aprofundado.
A rejeição do nome de Messias pelo Senado Federal marcou um episódio raro na história política brasileira. A Casa não barrava um indicado ao STF há 132 anos, o que elevou o episódio ao status de crise institucional relevante dentro do governo.
Durante a reunião, Lula e Messias analisaram o cenário político que levou à derrota no Senado. O entendimento, segundo relatos, é de que, apesar do voto contrário de parlamentares da oposição, houve reconhecimento público de que o advogado-geral atendia aos critérios constitucionais exigidos para o cargo, como notável saber jurídico e reputação ilibada.
Outro ponto discutido foi a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado por aliados do governo como um dos principais articuladores contrários à indicação desde o início do processo.
Mesmo após o revés, Lula mantém em análise diferentes cenários para o futuro de Messias. Entre as possibilidades consideradas estão sua permanência na AGU, eventual transferência para o comando do Ministério da Justiça ou até uma nova indicação ao Supremo em momento político mais favorável.
A movimentação ocorre em um contexto de tensão entre Executivo e Legislativo e pode influenciar diretamente a estratégia política do governo para recompor sua base e garantir governabilidade nos próximos meses.