Presidente critica venda de GLP acima do preço e afirma que população não vai pagar impacto da guerra no Oriente Médio
Redação Publicado em 02/04/2026, às 13h48
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (2) que pretende anular o leilão realizado pela Petrobras que comercializou gás de cozinha (GLP) acima dos valores praticados pelas refinarias. A medida, segundo ele, busca impedir que o aumento chegue ao consumidor final em meio à escalada de preços internacionais provocada pela guerra no Oriente Médio.
De acordo com o presidente, o leilão foi realizado contrariando orientações da própria estatal. Em tom crítico, Lula classificou a operação como irregular e garantiu que o governo federal irá rever a negociação para evitar impactos diretos à população, especialmente às famílias de baixa renda.
O volume negociado corresponde a cerca de 11% da demanda nacional prevista para abril, com aproximadamente 70 mil toneladas de gás liquefeito de petróleo. Em alguns casos, os valores ultrapassaram significativamente a tabela oficial, o que poderia gerar aumento de até R$ 39,40 no botijão de 13 kg.
Atualmente, o preço médio do gás de cozinha no Brasil gira em torno de R$ 109,91, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O reajuste poderia pressionar ainda mais o orçamento doméstico, especialmente em um cenário de inflação e instabilidade global.
Lula também associou o aumento dos combustíveis ao conflito envolvendo países do Oriente Médio, destacando que o Brasil não deve absorver os custos dessa crise internacional. O presidente reforçou que o governo está adotando medidas para conter a alta, incluindo reforço na fiscalização de distribuidoras e possíveis ações com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.
Além disso, o governo avalia alternativas estruturais, como a recomposição do papel estatal na distribuição de combustíveis, após críticas à privatização de ativos estratégicos no setor. Entre as possibilidades discutidas está a recompra de refinarias e maior controle sobre a cadeia de distribuição.
Especialistas apontam que o cenário internacional segue pressionando os preços do petróleo e derivados, o que exige respostas rápidas do governo para equilibrar o mercado interno e proteger o consumidor.