Durante entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida, presidente cobrou agilidade do governo e do Banco Central para ampliar o acesso à casa própria a famílias com renda de até R$ 12 mil
Lívia Gennari Publicado em 01/08/2025, às 15h50 - Atualizado às 17h28
Durante cerimônia de entrega de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, realizada nesta sexta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar agilidade de sua equipe e do Banco Central para lançar um novo modelo de financiamento habitacional que também contemple a classe média. Lula destacou que o objetivo é facilitar o acesso à casa própria para famílias com renda de até R$ 12 mil mensais, faixa que atualmente enfrenta obstáculos para obter crédito no sistema financeiro.
Em seu discurso, o presidente direcionou a cobrança aos ministros das Cidades, Jader Filho, e da Casa Civil, Rui Costa, além do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, da vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Ele lembrou que, há dois meses, o governo se comprometeu a lançar “o maior programa habitacional da história do país”, ampliando o foco para além das famílias de baixa renda.
Governo avalia ampliar uso da poupança no crédito imobiliário
De acordo com o ministro Jader Filho, uma das alternativas que está sendo avaliada pelo governo, é a redução dos depósitos compulsórios da poupança exigidos pelo Banco Central. Atualmente, 20% dos recursos dos depósitos em caderneta ficam retidos no BC, enquanto 65% devem ser destinados ao crédito habitacional. A ideia é flexibilizar as regras e direcionar mais recursos exclusivamente para o financiamento de moradias, com juros controlados.
A escassez de recursos é agravada pela diminuição dos saldos na poupança, uma vez que muitos brasileiros têm migrado para aplicações mais rentáveis. Para enfrentar esse cenário, o governo também estuda mecanismos que tornem mais atrativos os financiamentos corrigidos pelo IPCA, o índice oficial da inflação.
De acordo com Jader Filho, um novo encontro será agendado com o presidente Lula e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para debater os ajustes no modelo.
"Estão faltando recursos para financiamento para classe média. Precisamos garantir que os recursos disponíveis, ainda que limitados, sejam aplicados em habitação e não para outras frentes como, por exemplo, construção de shopping centers e outros empreendimentos”, ressaltou o ministro.
Com o novo modelo, o governo pretende estimular o setor da construção civil, ampliar o acesso à moradia e impulsionar a economia, em um esforço para destravar o crédito habitacional em meio à crise de financiamento.