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Lula, Moraes, Barroso, Alcolumbre e Mota estão pressionados

Quem pensava que só Bolsonaro sofreria com as questões políticas se equivocou

- Imagem: Sérgio Lima/ Poder

Reinaldo Polito Publicado em 10/08/2025, às 13h27

Bolsonaro comeu o pão que o diabo amassou ao enfrentar uma longa e inédita pandemia. E, para piorar, teve de resolver problemas avassaladores como a tragédia de Brumadinho e o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Além dessas questões indigestas, precisou conviver com gente difícil de lidar, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Com todos esses entraves, Bolsonaro conseguiu sobreviver. O país cresceu, o desemprego diminuiu, o número de pessoas vivendo na linha da miséria caiu consideravelmente, as empresas estatais ficaram no azul. Não conseguiu a reeleição, mas a derrota foi no fotochart, com pequena diferença para o vencedor. Depois de sair do governo, enfrentou incontáveis acusações feitas pela Justiça, até ser preso.

Lula está sem saída

Quem pensava que só Bolsonaro sofreria com as questões políticas se equivocou. Lula tem sido pressionado por causa da baixa popularidade. A cada pesquisa, os números se mostram mais desfavoráveis. Amarga persistentes 40% de reprovação. Chegou a pensar que havia surfado na onda do tarifaço de Trump, mas foi voo de galinha.

A ameaça dos americanos com aumento da taxa dos produtos exportados do Brasil para os Estados Unidos parecia irrealizável. Como seria possível um país impor estratosféricos 50%? Essa tarifa poderia prejudicar severamente a economia brasileira, atingindo setores como o do aço, do alumínio e do agronegócio.

Não se tratava de blefe, a taxa já está vigorando. Esse é um problema que Lula não consegue resolver.

Trump impôs condições políticas

Primeiro porque Trump está irredutível em seu pleito. Não aceita receber Lula para negociar. Só admite conversar se o Brasil atender à sua exigência de parar de perseguir Bolsonaro e encerrar imediatamente o seu julgamento.

O petista não quer ter Bolsonaro como adversário nas próximas eleições: quanto mais o ex-presidente estiver enroscado com a Justiça, mais aumentarão as chances de se reeleger.

Ainda que quisesse, não poderia. O julgamento de Bolsonaro se restringe ao Poder Judiciário, onde o presidente, pelo menos em tese, não pode interferir.

Se o problema da tarifa esbarra no julgamento de Bolsonaro, sobra para o Judiciário. Alexandre de Moraes, relator do processo contra o ex-presidente, foi acusado pelos Estados Unidos de ter cometido graves violações de direitos humanos.

Ministros com vistos cancelados

Tanto assim que teve seu visto de entrada para os Estados Unidos cancelado e foi enquadrado na Lei Magnitsky. Aprovada em 2012, a lei permite sanções severas contra estrangeiros acusados de violar direitos humanos ou cometer atos de corrupção.

Há notícias de que outros ministros do STF também tiveram os vistos cancelados e estão na mira para sofrer o mesmo rigor da Lei Magnitsky. O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, é um dos que mais foi prejudicado. Todos sabem que ele possui negócios e propriedades nos Estados Unidos, ministra aulas em universidades americanas e gosta muito daquele país. Não poder mais entrar em território americano e ainda correr o risco de ser penalizado por Trump deve ter tirado o seu sono.

Alcolumbre está irredutível

O único que poderia barrar as ações do relator do STF é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Mesmo a Casa tendo as assinaturas de 41 senadores para a abertura de processo de impeachment contra o ministro, Alcolumbre declarou que, ainda que tivesse a assinatura dos 81 senadores, não daria andamento ao processo.

Como Trump prometeu que todos aqueles que ajudassem Moraes seriam apanhados pela Lei Magnitsky, Alcolumbre parece ser um dos nomes que entraram na relação. Especialistas dizem que, se mantiver a posição que vem adotando, não escapará da condenação dos americanos.

Hugo Mota mudou de opinião

Hugo Mota é outro que se desdisse. Prometeu dar andamento ao pedido de anistia para os envolvidos nas badernas de 8 de janeiro, mas, depois de eleito, sem explicações, mudou de opinião. E de forma tão ferrenha que também pode entrar para a relação de Trump, se é que ainda não entrou.

A nossa jovem democracia dá a impressão de que vai precisar de tempo para amadurecer. Depois do processo de redemocratização, já tivemos dois presidentes impichados: Collor e Dilma. E quatro presos: Collor, Temer, Lula e Bolsonaro. É muito para uma democracia tão recente. Nenhum brasileiro pode desejar “terra arrasada”, mas que esse freio de arrumação veio em boa hora, veio.

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