Presidente afirma que solicitou cooperação dos EUA para extradição de brasileiro ligado a esquema que teria causado prejuízo de R$ 26 bilhões
Redação Publicado em 02/04/2026, às 14h15
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (2) que solicitou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a entrega de brasileiros foragidos da Justiça, citando diretamente o empresário Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit.
Segundo Lula, o pedido foi feito durante uma conversa telefônica entre os dois líderes, em dezembro, quando discutiram ações conjuntas de combate ao crime organizado. O presidente brasileiro destacou que aguarda a cooperação norte-americana, especialmente no caso de Magro, considerado um dos principais alvos de investigações no país.
O empresário é apontado como responsável por um esquema de sonegação fiscal que teria causado prejuízo estimado em R$ 26 bilhões aos cofres públicos. A Polícia Federal do Brasil investiga suspeitas de fraude envolvendo o não pagamento de ICMS, além de possíveis práticas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
De acordo com as apurações, o grupo utilizaria uma rede de empresas para adquirir combustível em estados com tributação mais baixa e revendê-lo em São Paulo, evitando o pagamento integral de impostos. Parte das movimentações financeiras também teria sido direcionada a empresas de fachada.
O Grupo Refit já foi alvo de uma megaoperação da Polícia Federal em 2025, com mandados de busca e apreensão cumpridos em diversos endereços ligados ao esquema. Apesar da magnitude do caso, não houve mandados de prisão na ocasião. Atualmente, Ricardo Magro reside em Miami, nos Estados Unidos.
Durante a entrevista, Lula reforçou que o combate ao crime organizado é uma prioridade do governo federal e sinalizou disposição para ampliar a cooperação internacional. “Se quiser combater o crime de verdade, o Brasil está pronto para atuar junto”, afirmou.
Além do tema internacional, o presidente voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que tramita no Congresso Nacional. A medida prevê mudanças estruturais no combate ao crime, incluindo maior participação da União e regras mais rígidas para organizações criminosas.
A proposta também abre caminho para a criação de um Ministério da Segurança Pública, com o objetivo de centralizar ações estratégicas e ampliar a atuação federal na área, hoje concentrada no Ministério da Justiça.