Em cúpula na Colômbia, presidente cobrou reforma no Conselho de Segurança e questionou papel das grandes potências
Lívia Gennari Publicado em 22/03/2026, às 08h07
Durante participação na cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à condução de conflitos internacionais e ao funcionamento das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança.
Em discurso neste sábado (21), Lula afirmou que o mundo enfrenta uma grave crise de governança global e acusou o principal órgão da ONU responsável pela manutenção da paz de falhar em sua missão. Segundo ele, países com poder de veto no Conselho têm atuado como protagonistas de guerras, em vez de mediadores.
"O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras", afirmou Lula.
O presidente defendeu mudanças estruturais no Conselho de Segurança da ONU, hoje composto por cinco membros permanentes com poder de veto, sendo eles: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Para ele, a atual configuração atual não reflete a realidade demográfica e política do mundo, deixando de fora regiões como América Latina e África, que juntas representam parcela significativa da população global.
A declaração foi feita durante a 10ª cúpula do bloco regional, realizada na capital colombiana, que também sediou o Fórum Celac-África. O encontro reuniu representantes de 33 países da América Latina e do Caribe, além de nações africanas, que juntas somam mais de 2 bilhões de pessoas. Além de Lula, participaram presencialmente o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, entre outros líderes.
Postura dos EUA é contestada
No discurso, o presidente brasileiro voltou a mencionar conflitos recentes, como a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio, apontando o que classificou como omissão da comunidade internacional diante das crises.
Ele também questionou a legitimidade de intervenções militares e criticou ações que, segundo ele, ferem a soberania de países mais frágeis. Lula ainda direcionou críticas aos Estados Unidos, citando medidas envolvendo países como Cuba e Venezuela, e classificou essas práticas como sinais de uma retomada de posturas colonialistas.
“Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático? É a utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez?", questionou.
Outro ponto destacado foi o aumento dos gastos militares no mundo, em contraste com o baixo investimento em políticas sociais. Lula defendeu que o combate à fome, às mudanças climáticas e à desigualdade como prioridade global.
Ao final, o presidente reforçou a necessidade de maior cooperação entre países do chamado Sul Global, defendendo que América Latina e África atuem de forma conjunta em temas como segurança alimentar, transição energética, preservação ambiental e desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, esses são os verdadeiros desafios a serem enfrentados pela comunidade internacional.