Hugo Motta admite viagem em jato de Vorcaro e hospedagem paga em Lisboa

Presidente da Câmara admite ter viajado para Portugal em aeronave ligada a Daniel Vorcaro e confirma que parte da hospedagem em Lisboa foi custeada pelo empresário. Caso aparece em documentos da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

PF aponta que Hugo Motta utilizou aeronave ligada a Vorcaro e teve hospedagem em Lisboa custeada pelo empresário - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 17/06/2026, às 21h15

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, confirmou a interlocutores ter viajado para Portugal em uma aeronave vinculada ao empresário Daniel Vorcaro e reconheceu que parte de sua hospedagem em Lisboa foi custeada pelo banqueiro. As informações vieram à tona após a retirada do sigilo de documentos da Operação Compliance Zero pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, nesta terça-feira, 16.

A investigação da Polícia Federal apura supostas fraudes financeiras e possíveis relações impróprias envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master. Nos documentos analisados pelos investigadores, Motta aparece em registros de voos privados e despesas de hospedagem associadas a Vorcaro.

Segundo relatos feitos pelo presidente da Câmara a aliados, a viagem ocorreu em junho de 2024, a convite do senador Ciro Nogueira. Motta afirma que, na época, desconhecia qualquer suspeita envolvendo Vorcaro e sustenta que não via irregularidade na participação do evento em Lisboa.

Os relatórios da Polícia Federal apontam que conversas extraídas de aparelhos e mensagens analisadas pelos investigadores mencionam a organização de voos em aeronaves privadas utilizadas por Vorcaro. Em um dos registros, Hugo Motta e Ciro Nogueira aparecem relacionados a deslocamentos realizados em jatos vinculados ao empresário.

A investigação também identificou mensagens sobre reservas de hospedagem no luxuoso hotel Four Seasons Hotel Ritz Lisbon. Em uma troca de mensagens de junho de 2024, Vorcaro solicita a reserva de quartos para si e para os parlamentares. Dias depois, um colaborador informa que "Ciro e Hugo" teriam suítes reservadas no estabelecimento. Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam despesas superiores a 3 mil euros referentes à hospedagem.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi um áudio atribuído a Vorcaro, no qual o empresário demonstra preocupação com a privacidade e a segurança de encontros realizados durante a estadia em Lisboa. Segundo a PF, ele pediu controle rigoroso de acesso aos ambientes utilizados nas reuniões e eventos privados.

Questionado sobre o caso, Hugo Motta afirmou ter "tranquilidade" em relação às investigações e declarou não enxergar irregularidades na viagem ou na hospedagem. O presidente da Câmara argumenta que participou de um tradicional encontro jurídico realizado na capital portuguesa e defende que os órgãos de controle realizem todas as apurações necessárias.

Até o momento, Motta não figura formalmente como investigado na Operação Compliance Zero. A Polícia Federal busca esclarecer se benefícios oferecidos por Daniel Vorcaro a autoridades públicas poderiam configurar vantagens indevidas ou tentativa de aproximação com agentes que ocupam posições estratégicas no poder público.

A Operação Compliance Zero tornou-se uma das maiores investigações financeiras em curso no país, analisando suspeitas de fraudes, lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes relacionados ao Banco Master e ao círculo de influência de seu ex-controlador.

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