Cenário político

Haddad coloca eleição em segundo plano

O Ministro da Fazenda comunicou ao presidente Lula que não pretende disputar eleições em 2026

Fernando Haddad defende reflexão sobre projeto nacional e cenário global. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.

Erika Osti Publicado em 19/01/2026, às 15h17

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta segunda-feira (19) que não pretende disputar eleições em 2026, rejeitando por enquanto qualquer candidatura a cargos como presidente, governador ou senador e afirmando que quer usar o tempo para debater um projeto de país no contexto internacional e nacional. A declaração, feita em entrevistas e conversas públicas, marca uma guinada na discussão interna do PT e acende especulações sobre seu futuro político e sua atuação no governo. 

Haddad afirmou que comunicou sua posição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que já houve conversas entre os dois sobre a possibilidade de sua saída do Ministério da Fazenda, cargo que ocupa atualmente. Ele disse que a relação com Lula é pessoal e respeitosa e que ouviu do presidente que sua decisão seria respeitada, apesar da pressão para que dispute alguma posição eletiva. 

“Eu disse em todas as ocasiões que não iria me candidatar em 2026, a todos os cargos. Tenho relação pessoal com o presidente. Começamos a conversar sobre a minha saída do governo na semana passada e levei minhas considerações a ele”, afirmou Haddad em entrevista ao portal UOL. 

Internamente, o nome de Haddad era visto por aliados como um potencial candidato ao governo de São Paulo, principal colégio eleitoral do país, mas a possibilidade tem enfrentado resistência dentro do PT e entre analistas políticos, que veem risco de revés eleitoral diante do atual governador e favorito nas pesquisas, Tarcísio de Freitas do Republicanos.

Apesar de afastar a ideia de disputar cargos, o ministro deixou claro que ainda não bateu o martelo sobre seu papel nas eleições do próximo ano e que continuará dialogando com Lula nas próximas semanas para definir a melhor forma de contribuição. Entre as alternativas mencionadas por ele estão colaborar com o programa de governo e com a estratégia eleitoral da campanha petista, sem assumir formalmente a coordenação ou disputar uma vaga eletiva. 

Haddad também afirmou que gostaria de dedicar mais tempo à reflexão sobre o papel do Brasil no cenário global, um tema que ele tem abordado em declarações públicas, e colocou como prioridade discutir um projeto de país que vá além da disputa eleitoral. “Quero um tempo para pensar qual será a inserção do Brasil nesse contexto tão dramático, interna e externamente. Só depois disso posso responder essa pergunta com mais alternativas”, declarou. 

A definição do futuro político de Haddad será acompanhada de perto no PT e no governo, sobretudo porque sua eventual saída do Ministério da Fazenda exigiria uma nova mudança na equipe econômica ainda no início do ano, antes do prazo legal para desincompatibilização de candidatos. Até lá, o debate sobre candidatura, papel na campanha de Lula e projeto político mais amplo deve continuar em aberto.

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