Planalto busca ampliar lista de exceções antes da decisão final de Donald Trump, prevista para a próxima semana
Letícia Sales Publicado em 08/07/2026, às 13h21
O governo brasileiro segue em negociação com os Estados Unidos para tentar impedir a aplicação de novas tarifas sobre produtos exportados pelo Brasil. Apesar das conversas em andamento, a avaliação do Palácio do Planalto é de que os argumentos técnicos já foram apresentados e que, neste momento, a principal expectativa é ampliar a lista de produtos que poderão ficar de fora das medidas.
A decisão final caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deve analisar os pedidos encaminhados pelo governo brasileiro para reconsiderar a proposta de impor tarifas de 25% e 12,5% sobre parte das exportações nacionais. O prazo para a definição termina em 15 de julho.
Nos bastidores, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acreditam que uma análise dos impactos econômicos para o mercado americano pode levar à revisão das tarifas. Ainda assim, a expectativa é por um posicionamento definitivo, sem novo adiamento.
Enquanto isso, o cenário também ganhou contornos políticos. O pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, permanece nos Estados Unidos, onde, segundo integrantes de sua equipe, busca sensibilizar autoridades americanas para adiar a decisão sobre o chamado tarifaço.
Na avaliação do governo federal, um eventual adiamento poderia ser interpretado como um gesto político favorável ao senador. Por outro lado, integrantes do Planalto criticam a atuação de Flávio Bolsonaro nas negociações com os norte-americanos, classificando sua postura como de alinhamento aos interesses dos Estados Unidos.
As tratativas diplomáticas continuam por meio do Itamaraty. Nesta terça-feira (7), representantes dos dois países realizaram uma nova rodada técnica de negociações. Também está prevista, nos próximos dias, uma reunião entre integrantes dos ministérios brasileiros e autoridades americanas, incluindo o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Apesar do diálogo, diplomatas brasileiros avaliam que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) tem mantido uma postura resistente às justificativas apresentadas pelo Brasil. Segundo o Itamaraty, "todos os dados pedidos foram apresentados", mas os documentos recebidos em resposta foram considerados um "copia e cola", utilizando os mesmos argumentos apresentados anteriormente na investigação comercial e na recomendação das novas tarifas.
Diante desse cenário, o governo brasileiro considera pouco provável uma reversão completa das medidas, concentrando seus esforços na ampliação das exceções para reduzir os impactos sobre as exportações nacionais.