Ricardo Couto de Castro amplia reconfiguração de poder no estado e aprofunda ruptura com núcleo político do ex-governador.
Ana Beatriz Publicado em 13/04/2026, às 22h45
A crise política no Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (13) com a demissão do presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) pelo governador interino Ricardo Couto de Castro. A medida é interpretada como mais um movimento estratégico de desmonte da estrutura ligada ao ex-governador Cláudio Castro, que deixou o cargo em março.
A exoneração ocorre em meio a uma ampla reconfiguração administrativa dentro do governo estadual, marcada pela substituição de quadros considerados próximos ao núcleo político de Castro. Segundo informações de bastidores, a decisão não foi isolada: ela integra um processo contínuo de afastamento de aliados do ex-governador, atingindo áreas consideradas estratégicas, como saneamento e infraestrutura.
A Cedae, empresa pública responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto no estado, sempre foi vista como um dos pilares de poder político no Rio, tanto pela capilaridade quanto pelo volume de contratos e influência institucional. A troca em sua presidência, portanto, tem peso simbólico e operacional dentro da máquina pública.
Contexto de crise institucional
O movimento ocorre semanas após a renúncia de Cláudio Castro, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado em meio a pressões jurídicas e políticas. Com a saída, o estado passou a enfrentar uma situação atípica de vacância dupla — sem governador e vice — levando à posse interina do presidente do Tribunal de Justiça do Rio.
Desde então, o governo interino tem adotado uma postura ativa, promovendo mudanças administrativas e redesenhando a estrutura de poder até a realização da eleição indireta, prevista para definir o comando do estado até o fim de 2026.
Reconfiguração de poder
A demissão na Cedae reforça a leitura de que o atual comando estadual busca não apenas administrar a transição, mas também influenciar o cenário político que será herdado pelo próximo governador. Ao desmontar o núcleo ligado à gestão anterior, o governo interino abre espaço para novos arranjos políticos e administrativos.
Nos bastidores, a movimentação é vista como uma tentativa de neutralizar a influência de Cláudio Castro na máquina pública, especialmente em setores estratégicos, antes da definição do novo governo.
Impacto político
A decisão também deve repercutir diretamente no ambiente político fluminense, já tensionado pela disputa indireta e por decisões judiciais recentes que alteraram o equilíbrio de forças no estado.
Especialistas avaliam que o Rio vive um dos momentos mais instáveis de sua história recente, com interferência simultânea dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na definição do comando estadual.