Ministro do Supremo manteve publicações feitas por Zeca Dirceu nas redes sociais e provocou nova reação pública do ex-procurador da Lava Jato.
Ana Beatriz Publicado em 20/05/2026, às 15h52
Uma nova decisão do ministro Gilmar Mendes reacendeu o embate judicial e político envolvendo o ex-deputado federal Deltan Dallagnol e integrantes do Supremo Tribunal Federal. O magistrado autorizou a permanência de publicações feitas nas redes sociais pelo deputado federal Zeca Dirceu contendo críticas e acusações contra o ex-procurador da Operação Lava Jato.
A controvérsia gira em torno de postagens divulgadas por Zeca Dirceu em plataformas digitais. Dallagnol acionou a Justiça alegando que as publicações continham informações falsas e ofensivas à sua imagem, além de associações que, segundo ele, não possuem respaldo em decisões da Justiça Eleitoral.
Na decisão mais recente, Gilmar Mendes entendeu que as manifestações do parlamentar petista estão inseridas no contexto de liberdade de expressão e debate político, autorizando a manutenção do conteúdo nas redes sociais.
Após a decisão, Dallagnol divulgou uma nota pública criticando duramente o posicionamento do ministro do STF. Segundo o ex-deputado, a medida abre precedente para a disseminação de informações falsas a seu respeito.
“O ministro Gilmar Mendes, que vive me atacando e xingando, liberou que façam fake news contra mim, permitindo que meus opositores mintam, quando o TSE não me declarou inelegível nem cassou meus direitos políticos”, afirmou Dallagnol em nota oficial.
O caso amplia mais um capítulo da longa tensão entre Dallagnol e integrantes do Supremo Tribunal Federal. Desde sua atuação na força tarefa da Operação Lava Jato, o ex-procurador se tornou alvo frequente de críticas de ministros da Corte e de setores políticos ligados à oposição ao antigo modelo de atuação da operação.
Dallagnol teve o mandato de deputado federal cassado em 2023 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Na ocasião, o TSE entendeu que ele pediu exoneração do Ministério Público Federal enquanto ainda existiam procedimentos administrativos que poderiam torná lo inelegível futuramente. A defesa do ex-deputado sempre contestou a interpretação da Corte.
A nova disputa judicial ocorre em meio ao crescimento do debate sobre liberdade de expressão, responsabilização por conteúdos publicados na internet e os limites das críticas políticas nas redes sociais.
Aliados de Dallagnol afirmam que a decisão representa tratamento desigual por parte do Judiciário, enquanto defensores da medida argumentam que figuras públicas estão sujeitas ao debate político e à crítica no ambiente democrático.
Até o momento, o gabinete do ministro Gilmar Mendes não divulgou manifestação adicional sobre a repercussão da decisão.