STF apura possível uso irregular de emendas parlamentares em projetos culturais ligados à cinebiografia “Dark Horse”, baseada na trajetória de Jair Bolsonaro.
Redação Publicado em 15/05/2026, às 11h17
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de uma investigação para apurar supostas irregularidades no direcionamento de emendas parlamentares destinadas a projetos culturais, entre eles a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi tomada após dificuldades para intimar o deputado federal Mario Frias, citado no processo por suposto envio de recursos a entidades ligadas à produção cultural.
Segundo o ministro, há indícios de possível descumprimento de decisões anteriores do STF relacionadas à transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares, além de suspeita de desvio de finalidade na aplicação dos recursos.
A investigação também envolve repasses destinados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama.
O caso ganhou novos desdobramentos após revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
De acordo com informações preliminares citadas no processo, Vorcaro teria prometido recursos milionários para ajudar na produção da obra cinematográfica. Documentos anexados apontariam transferências já realizadas para viabilizar o projeto.
A nova apuração deverá tramitar sob sigilo judicial.
Ainda em março, Dino havia determinado prazo para que parlamentares prestassem esclarecimentos sobre denúncias apresentadas pela deputada federal Tabata Amaral.
Ela acusa Mario Frias de destinar ao menos R$ 2 milhões em emendas parlamentares à Academia Nacional de Cultura.
Além de Frias, também foram intimados os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon. Segundo o STF, apenas Mario Frias ainda não apresentou resposta formal.
Nos bastidores políticos, o caso amplia a pressão sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e adiciona novos elementos à disputa política envolvendo recursos públicos e produções culturais.