Ataques ao governo

Flávio Bolsonaro acusa Lula de perseguição e critica atuação da PF em evento no interior paulista

Senador do PL relacionou troca em investigação do INSS a suposta interferência política e voltou a defender endurecimento contra facções criminosas

Em discurso, Flávio Bolsonaro destaca a importância da segurança pública e critica a gestão atual em relação ao crime organizado - Imagem: Reprodução/Vinicius Passarelli/Metrópoles

Letícia Sales Publicado em 16/05/2026, às 14h46

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) fez duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste sábado (16), durante evento de lançamento da pré-candidatura do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, ao Senado, em Sorocaba, no interior paulista.

Em discurso para apoiadores, Flávio afirmou que o governo federal “aparelhou” a Polícia Federal e acusou a gestão petista de perseguir adversários políticos. As declarações ocorrem em meio ao desgaste na pré-campanha do senador após a divulgação de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e suspeitas relacionadas ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“A gente não vai permitir que esses canalhas continuem governando o nosso país. Um governo corrupto, que persegue adversários políticos. Eles aparelharam até a Polícia Federal, trocaram o delegado que quebrou o sigilo do Lulinha, que recebia dinheiro do careca do INSS, para tentar manipular as investigações. Tem que devolver o dinheiro roubado dos aposentados do INSS, Lula. Você rouba os idosos desse Brasil”, afirmou o senador.

A fala faz referência à mudança no comando da investigação sobre fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso deixou a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, conduzida pelo delegado Guilherme Figueiredo, e passou a ser acompanhado pela Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq), setor responsável por investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante o evento, Flávio também afirmou estar sendo alvo de perseguição política e disse enfrentar um movimento articulado para enfraquecer sua imagem pública.

“Amanheci com uma passagem bíblica na minha cabeça. ‘Aquele que na dificuldade é fraco, é porque é realmente fraco’. Eles me subestimaram, mais uma vez, achando que vão me intimidar, achando que vão me calar. Eles esqueceram de uma coisa: aqui tem sangue de Bolsonaro. Eu não vou desistir do meu Brasil”, declarou.

O encontro em Sorocaba foi o segundo compromisso de Flávio Bolsonaro no interior paulista voltado à pré-candidatura de Derrite. Na noite anterior, o senador participou de agenda semelhante em Campinas ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que não compareceu ao evento deste sábado.

A pauta da segurança pública dominou os discursos. Em vídeo exibido aos presentes, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro afirmou que Derrite será peça-chave para que Flávio implemente no Brasil o chamado “método Bukele”, em referência ao presidente de Nayib Bukele, conhecido pela política de encarceramento em massa contra facções criminosas em El Salvador.

Flávio Bolsonaro e Derrite também defenderam que organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho sejam classificadas como grupos terroristas — proposta apoiada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas rejeitada pelo governo federal.

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