DINHEIRO SOB SUSPEITA

Ex-assessor de senador tenta recuperar R$ 1 milhão apreendido após saque em Brasília

Contador preso com dinheiro em espécie afirmou à polícia que apenas faria a retirada da quantia para entregar a terceiros; investigação apura possível esquema de lavagem de dinheiro.

Contador foi preso após sacar R$ 1 milhão em espécie em agência bancária de Brasília; polícia investiga possível esquema de lavagem de dinheiro. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 20/05/2026, às 09h50

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A apreensão de R$ 1 milhão em dinheiro vivo dentro de uma agência bancária em Brasília abriu uma nova frente de investigação envolvendo um ex-assessor ligado ao senador Weverton. O ex-servidor Julio Cadimo Costa Nobriga passou a atuar para tentar recuperar a quantia apreendida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) com o contador Cleônides de Sousa Gomes.

O contador foi preso no último dia 11 após sacar o montante em uma agência da Asa Sul, na capital federal. Segundo a investigação, ainda havia mais R$ 1 milhão disponível na conta bancária, que seria retirado no dia seguinte, totalizando R$ 2 milhões movimentados em espécie.

Durante abordagem policial, Cleônides afirmou que o dinheiro não era dele e declarou que apenas receberia os valores, faria os saques e posteriormente entregaria a outra pessoa. Inicialmente, porém, o contador alegou desconhecer tanto a origem dos recursos quanto o destinatário final da quantia.

As investigações da PCDF apontam suspeitas de um possível esquema de lavagem de dinheiro baseado na movimentação de grandes valores por meio de contas de terceiros, com posterior saque em espécie para dificultar o rastreamento financeiro.

De acordo com a apuração, Julio Nobriga tem buscado acesso tanto ao dinheiro apreendido quanto aos recursos ainda bloqueados na conta bancária utilizada pelo contador.

Em nota enviada à imprensa, o advogado Gustavo Alves, responsável pela defesa de Cleônides, afirmou que o cliente pretende colaborar com as investigações e comprovar a origem lícita dos valores. A defesa também entrou com pedido de liberdade provisória.

Procurado, Julio Nobriga confirmou amizade com o contador há alguns anos, mas negou ser o proprietário do dinheiro apreendido. Ele afirmou atuar atualmente no ramo de venda de relógios.

Já o senador Weverton se distanciou do ex-assessor e afirmou que não mantém contato com ele desde a saída do gabinete. Segundo o parlamentar, Nobriga deixou oficialmente a equipe há mais de um ano.

Julio Nobriga trabalhou no Senado por cerca de seis anos, ocupando cargos ligados ao gabinete do senador e setores administrativos da Casa até fevereiro de 2025.

O caso ganhou ainda mais repercussão por ocorrer em meio às investigações da Operação Sem Desconto, que apura supostos esquemas ligados à chamada “Farra do INSS” e cita o nome do senador maranhense em outras frentes investigativas.

A Polícia Civil segue analisando movimentações financeiras, transferências bancárias e a possível participação de outros envolvidos no caso.

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