Entenda a prisão de Márcio Canella, ex-prefeito apoiado por Flávio Bolsonaro

Ex-prefeito de Belford Roxo, presidente do União Brasil no Rio e pré-candidato ao Senado, Canella foi detido em flagrante durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, que apura um esquema suspeito de lavar dinheiro por meio de postos de combustíveis na Região Metropolitana.

Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, foi preso em flagrante pela Polícia Federal após agentes encontrarem um fuzil calibre .556 em seu veículo - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 08/07/2026, às 11h38

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O ex-prefeito de Belford Roxo e presidente do União Brasil no Rio de Janeiro, Márcio Canella, foi preso em flagrante pela Polícia Federal nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne. A detenção ocorreu depois que agentes encontraram um fuzil calibre .556 dentro do veículo do político, que era um dos alvos de mandado de busca e apreensão na investigação.

Canella é pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro e aparece no centro de uma crise política por ser apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro. Segundo apurações publicadas pela imprensa, integrantes do PL já haviam demonstrado preocupação com a manutenção do apoio ao ex-prefeito diante das investigações que avançavam no estado.

A prisão, no entanto, não ocorreu diretamente pela suspeita de lavagem de dinheiro. De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, Canella foi preso em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A Polícia Federal encontrou o armamento durante o cumprimento das ordens judiciais. Segundo a CNN Brasil, o ex-prefeito teria alegado que o fuzil encontrado dentro do veículo não pertencia a ele.

A Operação Unha e Carne investiga uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma para lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf.

Nesta fase, a Polícia Federal cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Também foram determinadas medidas de sequestro de bens e valores e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

O balanço divulgado pela PF aponta a apreensão de cerca de R$ 919 mil e US$ 13 mil em espécie, além de um fuzil de calibre restrito, nove armas curtas, sete computadores, 23 celulares, 11 veículos, joias, relógios e documentos. Duas pessoas foram presas em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. Outros crimes ainda podem ser identificados ao longo da apuração.

Além de Márcio Canella, a operação teve como alvos o delegado Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Juracy Alves Prudêncio, ex-policial militar conhecido como Jura, e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Segundo a CNN, Pablo seria apontado como principal alvo da fase atual da operação e teria ligação com uma rede de postos por meio de laranjas.

A PF aponta Canella como um dos possíveis braços políticos do grupo investigado. A expressão, usada nas apurações, indica a suspeita de que agentes com influência pública ou política poderiam dar sustentação, facilitar ou proteger interesses da organização investigada. A defesa do ex-prefeito deve se manifestar ao longo do processo.

A nova fase da Operação Unha e Carne também se insere na Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal para desarticular organizações criminosas atuantes no Rio de Janeiro. A ação segue diretrizes relacionadas à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal.

A investigação amplia o impacto político da operação no estado. Canella foi prefeito de Belford Roxo, teve trajetória na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e vinha sendo tratado como nome competitivo para o Senado na articulação eleitoral de 2026. A prisão em flagrante, somada à suspeita de envolvimento indireto em uma estrutura bilionária de lavagem, coloca a pré-candidatura sob forte pressão.

Até o momento, Canella não foi condenado pelos fatos investigados na Operação Unha e Carne. A prisão em flagrante está relacionada ao fuzil encontrado no veículo, enquanto as demais suspeitas seguem sob investigação da Polícia Federal.

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