Crise institucional no Rio

Eleição sem disputa leva Douglas Ruas ao comando da Alerj e aprofunda tensão política

Posse do novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio ocorre sob contestação judicial, boicote de partidos e incerteza sobre quem comandará o governo fluminense.

Douglas Ruas assume presidência da Alerj em meio a crise política e contestação judicial no RJ - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 17/04/2026, às 13h54

Ler resumo da notícia

Em meio a um cenário de forte instabilidade política, o deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito e empossado nesta sexta-feira (17) como novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em uma votação marcada pela ausência de concorrentes, questionamentos judiciais e boicote de partidos de oposição.

A eleição ocorreu sem disputa direta, após um processo já tensionado desde o fim de março. No dia 26, Ruas havia sido escolhido por parte dos parlamentares para assumir o comando da Casa, mas a decisão acabou anulada pela Justiça, reacendendo o embate político interno e abrindo espaço para novas contestações.

Mesmo com a nova votação realizada, o ambiente seguiu longe de consenso. Partidos como PT, PSB, PSD, PCdoB, MDB, PDT e PSOL, além de outros 27 parlamentares, optaram por não participar do pleito. As siglas alegam falta de legitimidade no processo e já indicaram que devem recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar invalidar novamente a eleição.

A crise ganha contornos ainda mais complexos por causa do impacto direto na chefia do Executivo estadual. Tradicionalmente, o presidente da Alerj é o primeiro na linha sucessória do governo do estado. Ou seja, ao assumir o comando da Assembleia, Ruas poderia ocupar interinamente o Palácio Guanabara em caso de vacância ou impedimento do governador.

No entanto, uma decisão liminar do STF alterou temporariamente esse cenário. A Corte determinou que o comando do governo do Rio permaneça com o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, o desembargador Ricardo Couto, até que seja definida a forma de realização de uma eleição para o chamado “mandato-tampão”.

Esse tipo de eleição ocorre em situações excepcionais, quando há necessidade de preencher o cargo de governador por um período restante de mandato. A indefinição sobre o modelo desse processo, e quem teria legitimidade para conduzi-lo, é um dos pontos centrais da disputa atual.

Nos bastidores, a avaliação é de que o caso escancara uma crise institucional envolvendo os três poderes no estado: Legislativo dividido, Judiciário intervindo diretamente no processo e Executivo sob comando interino. Especialistas apontam que decisões futuras do STF serão determinantes para estabilizar o cenário político fluminense.

Enquanto isso, a eleição de Douglas Ruas segue sob risco jurídico, e o comando da Alerj, peça-chave na engrenagem política do estado, permanece no centro de uma disputa que pode se estender nos próximos dias.

STF PRESIDENTE ALERJ ELEIÇÃO GOVERNADOR INSTABILIDADE EXECUTIVO Douglas ruas Ricardo couto Mandato-tampão

Leia também