Política

Eduardo Bolsonaro admite investimento e contrato de gestão financeira em filme sobre Jair Bolsonaro

Ex-deputado mudou versão sobre participação no longa Dark Horse após revelações envolvendo aporte milionário e fundo controlado por aliados nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro admitiu investimento de R$ 350 mil e participação contratual no filme Dark Horse após mudar versão sobre envolvimento no projeto - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 18/05/2026, às 10h10

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro admitiu ter investido recursos financeiros e assinado um contrato com poderes de gestão relacionados ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A nova declaração representa uma mudança significativa em relação à versão apresentada anteriormente pelo próprio político sobre sua participação no projeto cinematográfico.

Segundo Eduardo Bolsonaro, ele investiu R$ 350 mil no longa-metragem utilizando recursos obtidos com a venda de um curso. O ex-deputado afirmou que o valor foi destinado inicialmente para garantir a contratação do diretor hollywoodiano Cyrus Nowrasteh, responsável por desenvolver o roteiro e iniciar a produção do projeto.

De acordo com a declaração publicada nas redes sociais na última sexta feira (15), o aporte financeiro ocorreu em uma fase considerada decisiva para a continuidade do filme.

“Próximo ao final do contrato, e diante da possibilidade de perder o diretor, surgiu a oportunidade de atrair um grande investidor, que posteriormente se consolidou em um grupo de investidores”, afirmou Eduardo Bolsonaro.

Apesar da admissão do investimento e da participação contratual, o ex-deputado não esclareceu quem realizou a devolução dos R$ 350 mil que, segundo ele, foram posteriormente restituídos.

A nova versão apresentada por Eduardo Bolsonaro surgiu menos de 24 horas após o político afirmar publicamente que não ocupava qualquer posição de gestão no projeto cinematográfico e que teria apenas cedido os direitos de imagem relacionados ao pai, Jair Bolsonaro.

“Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, declarou anteriormente nas redes sociais.

As novas informações vieram à tona após reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil, que revelou detalhes sobre a estrutura financeira montada para viabilizar o filme Dark Horse. Segundo a publicação, o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 134 milhões para financiar a produção cinematográfica ligada à trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ainda de acordo com a reportagem, desse total, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

A investigação aponta que os recursos teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

A produtora responsável pelo longa e o deputado federal Mario Frias, apontado como roteirista da obra, afirmaram que não tiveram acesso direto aos valores supostamente repassados pelo banqueiro.

O caso ampliou o debate político e jurídico sobre a transparência financeira do projeto cinematográfico e sobre o envolvimento de aliados da família Bolsonaro em estruturas internacionais de financiamento ligadas ao filme.

Até o momento, não há informações oficiais sobre eventual investigação formal envolvendo os recursos utilizados no projeto ou sobre auditorias relacionadas à movimentação financeira do fundo citado na reportagem.

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