O Brasil teve uma redução de 32,4% na área desmatada, totalizando 1.242.079 hectares devastados em 2024
Gabriela Thier Publicado em 15/05/2025, às 15h41
De acordo com os dados divulgados pelo Mapbiomas, cinco dos seis biomas brasileiros apresentaram uma significativa diminuição nas taxas de desmatamento em 2024. A única exceção foi a Mata Atlântica, que se manteve estável em comparação a 2023.
Os números revelam uma queda de 32,4% na área desmatada e uma redução de 26,9% nos alertas relacionados ao desmatamento. No total, o Brasil registrou em 2024 a devastação de 1.242.079 hectares, além de 60.983 alertas emitidos em todo o território nacional.
Essas informações foram apresentadas na quarta-feira, dia 14, durante a divulgação do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD).
Na comparação entre os anos de 2023 e 2024, o Pantanal e o Pampa destacaram-se como os biomas com as maiores reduções nas áreas desmatadas, seguidos pelo Cerrado, Amazônia e Caatinga. Por sua vez, a Mata Atlântica observou um crescimento de 2% na área desmatada.
Em relação aos dados de 2024, mais de 89% da área total desmatada corresponde às regiões da Amazônia e do Cerrado. As formações savânicas foram as mais afetadas, respondendo por 52,4% do desmatamento total no país, enquanto as formações florestais representaram 43,7% desse total.
Tasso Azevedo, coordenador geral do Mapbiomas, ressaltou que um dos focos da instituição é a monitorização da perda de vegetação nativa devido a eventos climáticos extremos. Este fator foi crucial para que a Mata Atlântica não acompanhasse a tendência de queda no desmatamento observada nos outros biomas. "Se não fossem considerados os desmatamentos associados a esses eventos extremos, a redução teria sido de 20% maior", explicou Azevedo.
No que diz respeito à área desmatada diariamente em 2024, a média foi de 3.403 hectares ou aproximadamente 141,8 hectares por hora. O dia com maior índice de desmatamento foi registrado em 21 de junho, quando foram devastados 3.542 hectares de vegetação nativa em um único dia. O Cerrado apresentou uma taxa ainda mais alarmante, com uma média diária de perda de 1.786 hectares.
Pesquisadores acreditam que essa evolução nos índices de desmatamento pode estar ligada a três fatores principais observados recentemente: primeiro, o desenvolvimento de planos para enfrentar o desmatamento em todos os biomas; segundo, o aumento da atuação dos estados nas ações contra o desmatamento através do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); e por fim, um maior uso dos dados relacionados ao desmatamento para concessão de crédito rural.
Ainda assim, apesar das quedas significativas nos índices gerais, o Cerrado continua sendo o bioma mais afetado pelo desmatamento no país em 2024, com mais de 652 mil hectares perdidos.
Marcos Rosa, coordenador técnico do Mapbiomas, apontou que essa mudança representa um fenômeno inédito desde 2023. Historicamente, o foco do desmatamento estava centrado na Amazônia; no entanto, mesmo com as reduções recentes nos dois biomas, o padrão anterior foi mantido devido à persistente devastação do Cerrado.
Os estados que mais contribuíram para os índices de desmatamento em 2024 foram os quatro estados que compõem a região do Matopiba e o Pará, juntos representando cerca de 65% da área total devastada no Brasil.
Especificamente, Maranhão (17,6%), Pará (12,6%) e Tocantins (12,3%) foram os líderes em participação percentual no total da perda de vegetação nativa em território nacional. Em contrapartida, Goiás, Paraná e Espírito Santo conseguiram reduzir seus índices de desmatamento em mais de 60%. Os estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Acre experimentaram aumentos significativos.
Natália Crusco da equipe da Mata Atlântica do Mapbiomas destacou que no Rio Grande do Sul os eventos climáticos extremos impactaram diretamente a Mata Atlântica ao invés das áreas dos Pampas. Entre abril e maio deste ano, esses eventos resultaram na perda considerável de vegetação nativa no estado; foram registrados um total de 627 alertas que resultaram na destruição de aproximadamente 2.805 hectares.