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Desembargador usa plantões para liberar liminares; caso vem à tona

Ney Bello, do TRF-1, é apontado como juiz “coração aberto” para concessão de liminares controversas

Decisões de Ney Bello são frequentemente questionadas - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

Jair Viana Publicado em 16/01/2025, às 14h23

O desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília, está no centro de uma polêmica envolvendo a suposta venda de sentenças. Suas decisões tomadas durante plantões são alvo de intensas críticas, especialmente por contrariarem entendimentos de outros magistrados e levantarem suspeitas de irregularidades. Há relatos de que Bello teria até alterado documentos de um processo em uma dessas decisões.

Críticos apontam que, em apenas dois plantões, Ney Bello concedeu pelo menos três liminares controversas, algumas das quais foram revogadas em menos de 24 horas. Um dos casos mais emblemáticos envolve a Imcopa, onde o desembargador concedeu liminar em favor de um grupo investigado por crimes graves, como corrupção e lavagem de dinheiro.

A LIMINAR POLÊMICA

A decisão de Ney Bello favoreceu Ruy del Gaiso e Renato Mazzucchelli, supostos controladores do fundo Agro1, envolvidos na operação Cortina de Fumaça, deflagrada pelo Ministério Público do Paraná. A operação investiga um esquema de compra de decisões judiciais via WhatsApp. A liminar suspendeu decisões anteriores que reconheciam Walter Faria como credor da Imcopa, contrariando entendimentos anteriores do TRF-1.

Com uma canetada, Bello derruba todas as decisões do juiz federal Catta Preta, responsável pelo processo

 

INVESTIGAÇÕES INTERNACIONAIS

Além das investigações no Brasil, Ruy del Gaiso e Renato Mazzucchelli são alvos de apuração em Luxemburgo, suspeitos de desviar milhões das empresas de Walter Faria. Apesar dos eventos terem ocorrido em dezembro de 2024, o pedido judicial foi feito no dia 2 de janeiro de 2025, coincidentemente o primeiro dia de plantão de Ney Bello.

CONTRADIÇÕES E SUSPEITAS

A decisão de Ney Bello causou estranheza entre juristas, pois contrariou pelo menos oito decisões anteriores do TRF-1 e alterou o relator do caso. Essa medida, tomada em plantão, reforça as suspeitas de irregularidades.

DESDOBRAMENTOS JUDICIAIS

O caso envolve uma disputa judicial entre o Grupo Petrópolis, de Walter Faria, e a gestora RC2, de Ruy del Gaiso e Renato Mazzucchelli, pelo controle da Imcopa. As decisões judiciais se alternam desde 2018, com o controle da companhia oscilando entre os grupos.

OUTRO LADO

A reportagem tentou contato com os envolvidos, mas não obteve resposta. O desembargador Ney Bello também não se manifestou até o fechamento desta edição. Caso haja novas declarações, o texto será atualizado.

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