Investigação sobre o financiamento do longa inspirado em Jair Bolsonaro ganha novos desdobramentos. Polícia Federal avalia diferentes frentes de apuração envolvendo recursos enviados aos Estados Unidos, possível lavagem de dinheiro e eventual financiamento de atividades políticas.

Ana Beatriz Publicado em 26/06/2026, às 13h41
O filme Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, pode levar à abertura de até três novos inquéritos pela Polícia Federal, focando na origem e uso dos recursos financeiros do projeto. As investigações buscam esclarecer se os valores enviados ao exterior para a produção do filme foram realmente utilizados para esse fim ou se financiaram atividades políticas de aliados de Bolsonaro nos Estados Unidos.
As apurações estão centradas em possíveis irregularidades financeiras, incluindo movimentações internacionais e o envolvimento do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que teria enviado recursos para um fundo no Texas ligado à produção do filme. A situação é complexa, com a possibilidade de que parte dos fundos tenha sido desviada para despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA desde 2025.
A definição sobre como proceder com as investigações dependerá da Procuradoria-Geral da República, que avaliará a conexão entre os casos existentes e os novos elementos. Se os inquéritos forem instaurados, poderão investigar lavagem de dinheiro e financiamento de atividades políticas no exterior, mas até agora não há conclusões sobre irregularidades.
O caso envolvendo o filme Dark Horse, produção norte-americana inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pode gerar até três novos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal nos próximos dias. A informação surge em meio ao avanço das investigações sobre a origem e a destinação dos recursos utilizados para financiar o projeto audiovisual, que passou a ser alvo de apurações em diferentes frentes.
Segundo fontes ligadas às investigações, a Polícia Federal analisa a abertura de procedimentos distintos para esclarecer possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do longa, às movimentações financeiras internacionais e ao eventual uso desses recursos para sustentar atividades políticas de aliados do ex-presidente nos Estados Unidos.
O principal foco da investigação é verificar se valores enviados ao exterior sob a justificativa de custear a produção do filme foram efetivamente destinados ao projeto cinematográfico ou se parte dos recursos teria financiado despesas pessoais ou atividades políticas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde 2025. A suspeita é de que recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tenham sido remetidos para um fundo sediado no Texas responsável pela produção do filme.
Três caminhos possíveis
De acordo com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, existem atualmente três possibilidades jurídicas para a condução das investigações.
A primeira seria incorporar os fatos ao inquérito já existente que investiga o chamado Caso Master, atualmente sob relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal.
A segunda hipótese seria anexar os novos elementos ao inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e suas articulações junto a autoridades estrangeiras.
Já a terceira alternativa prevê a abertura de um novo procedimento independente, distribuído por sorteio a outro ministro do Supremo Tribunal Federal. A definição dependerá da manifestação da Procuradoria-Geral da República e da análise sobre eventual conexão entre os fatos investigados.
O que é o filme "Dark Horse"
Dark Horse é uma cinebiografia produzida nos Estados Unidos que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, incluindo o atentado a faca sofrido durante a corrida eleitoral. O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, roteirizado pelo deputado federal Mário Frias e tem o ator norte-americano Jim Caviezel interpretando Bolsonaro. A produção foi filmada integralmente em inglês com foco no mercado internacional.
Desde o anúncio do projeto, a obra passou a acumular controvérsias. Além das investigações sobre seu financiamento, as gravações também foram alvo de denúncias trabalhistas envolvendo figurantes e profissionais contratados para a produção.
Próximos passos
Antes da abertura formal dos novos inquéritos, a Procuradoria-Geral da República deverá analisar a competência das investigações e indicar qual o foro adequado para o caso.
Caso sejam instaurados, os procedimentos poderão aprofundar a apuração sobre a origem dos recursos, eventual lavagem de dinheiro, possíveis crimes financeiros, uso de estruturas internacionais para ocultação de patrimônio e eventual financiamento de atividades políticas no exterior.
Até o momento, não há conclusão definitiva sobre a existência de irregularidades, e os fatos permanecem sob investigação pelas autoridades competentes.
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