Crise no sistema financeiro

Delação de Daniel Vorcaro chega à PF e pode ampliar escândalo bilionário do Caso Master

Ex-banqueiro entregou pen drive com relatos sobre encontros, viagens e relações com políticos; investigadores avaliam conteúdo antes de possível acordo formal no STF.

Daniel Vorcaro entregou proposta de delação premiada à PF e à PGR em meio às investigações sobre fraudes bilionárias no sistema financeiro - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 06/05/2026, às 15h12

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A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregou oficialmente à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República a proposta de delação premiada ligada ao chamado Caso Master, investigação que apura um suposto esquema de fraudes bilionárias no sistema financeiro nacional envolvendo o antigo Banco Master.

O material foi entregue em Brasília por meio de um pen drive e já começou a ser analisado pelos investigadores. A expectativa é que a avaliação técnica da PF e da PGR leve mais de dois meses, período em que os órgãos irão verificar se as informações apresentadas possuem elementos inéditos e provas capazes de fortalecer os inquéritos em andamento.

Segundo informações reveladas pela CNN Brasil, o conteúdo da proposta foi dividido em anexos organizados por personagens e episódios específicos. Vorcaro teria detalhado datas, horários, cidades e contextos de encontros, reuniões, festas e viagens envolvendo agentes políticos de diferentes correntes ideológicas. Interlocutores com acesso ao material afirmam que há menções a nomes da direita, esquerda e principalmente do centro político.

Apesar das citações políticas, os pré-candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não aparecem na proposta entregue até o momento, segundo fontes ligadas à investigação. Também estariam fora do material outros nomes cotados para a disputa presidencial, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Aldo Rebelo, Augusto Cury e Renan Santos. Ainda de acordo com a apuração, um ex-candidato à Presidência atualmente inelegível aparece em um dos anexos.

O Caso Master é tratado por investigadores como uma das maiores crises financeiras da história recente do país. A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, investiga suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção, manipulação de mercado e uso irregular de fundos de investimento ligados ao Banco Master.

Vorcaro foi preso preventivamente novamente em março deste ano, em São Paulo, durante nova fase da operação. Posteriormente, foi transferido do presídio federal para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, justamente para negociar os termos da colaboração premiada. Após cerca de um mês e meio de reuniões diárias com advogados, a proposta foi concluída e entregue às autoridades.

Nos bastidores, a Polícia Federal também trabalha para identificar autoridades com foro privilegiado eventualmente ligadas ao caso. O ministro do STF André Mendonça, relator do processo, teria solicitado informações sobre possíveis autoridades citadas nas investigações. A PF já analisa celulares apreendidos de Vorcaro em busca de provas complementares.

A delação ainda não foi homologada. Após a triagem inicial do material, investigadores devem convocar Vorcaro para novos depoimentos antes que um eventual acordo seja encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.

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