Declarações do ex governador de Minas Gerais contra o senador provocaram reuniões reservadas e aumentaram tensão entre ala conservadora e dirigentes do partido.
Ana Beatriz Publicado em 27/05/2026, às 15h38
As recentes críticas feitas pelo ex governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ao senador Flávio Bolsonaro provocaram uma crise interna no Partido Novo e abriram uma nova frente de tensão entre lideranças da legenda e setores ligados ao bolsonarismo.
Segundo relatos obtidos por bastidores políticos, dirigentes nacionais do partido, parlamentares e aliados de Zema participaram de reuniões reservadas nos últimos dias para discutir o desgaste provocado pelas declarações públicas do ex governador contra o filho do ex presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com integrantes da ala conservadora do Novo, o clima se deteriorou após Zema intensificar críticas a Flávio Bolsonaro em manifestações públicas e entrevistas. Lideranças mais alinhadas ao bolsonarismo avaliam que o ex governador ultrapassou os limites políticos ao transformar o senador em alvo frequente de ataques.
A tensão ganhou força depois que Zema divulgou um vídeo criticando Flávio Bolsonaro após a repercussão de reportagens envolvendo áudios e trocas de mensagens atribuídos ao senador e ao empresário Daniel Vorcaro. O material, divulgado pelo site Intercept Brasil, indicaria um pedido de apoio financeiro para o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Apesar disso, integrantes do Novo afirmam que o problema não estaria restrito apenas ao episódio envolvendo o filme, mas ao comportamento reiterado de Zema em relação ao senador e ao grupo político ligado ao ex presidente Bolsonaro.
Nos bastidores, lideranças conservadoras do partido passaram a discutir até mesmo um possível rompimento político com Zema caso o desgaste continue aumentando. O receio de parte da legenda é que os embates internos enfraqueçam alianças estratégicas para as eleições de 2026 e provoquem divisão entre grupos ideológicos dentro do partido.
As reuniões realizadas nos últimos dias tiveram como objetivo principal evitar um agravamento da crise e tentar reconstruir pontes entre Zema e figuras influentes do campo conservador.
O episódio também evidencia a disputa por espaço político dentro da direita brasileira, especialmente entre setores mais independentes e grupos alinhados diretamente ao bolsonarismo.
Até o momento, nem Romeu Zema nem Flávio Bolsonaro comentaram publicamente os detalhes das reuniões internas realizadas pelo partido.
Analistas políticos avaliam que o desdobramento da crise pode influenciar diretamente futuras alianças eleitorais e a posição do Novo no cenário político nacional nos próximos meses.