Decisão do governo Trump gera resposta imediata de Lula e reacende crise diplomática entre os dois países após série de atritos recentes.
Redação Publicado em 23/04/2026, às 09h23
As relações entre Brasil e Estados Unidos voltaram a se deteriorar após o governo de Donald Trump determinar a retirada de um delegado da Polícia Federal que atuava no país como elo de cooperação entre as autoridades.
A decisão envolveu o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que trabalhava junto ao Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Segundo autoridades americanas, a medida foi tomada após suspeitas de tentativa de interferência em um processo de extradição.
O episódio provocou reação imediata do governo brasileiro. Sob orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Polícia Federal retirou as credenciais de um agente de imigração norte-americano que atuava em Brasília, adotando o princípio da reciprocidade diplomática.
A crise ocorre em meio ao caso do ex-deputado Alexandre Ramagem, detido nos Estados Unidos por questões migratórias e considerado foragido pela Justiça brasileira. O delegado brasileiro havia participado de ações relacionadas ao episódio, o que, segundo os EUA, motivou a decisão de afastamento.
O Itamaraty criticou a postura americana, afirmando que a medida não respeitou práticas diplomáticas básicas, como comunicação prévia e diálogo institucional. Já Lula afirmou que o Brasil responderá “na mesma medida”, sinalizando endurecimento na relação bilateral.
O episódio se soma a uma sequência de tensões recentes entre os dois países, incluindo divergências comerciais, críticas públicas de autoridades americanas ao Supremo Tribunal Federal e discussões sobre possíveis classificações de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA.
Apesar de tentativas anteriores de aproximação entre Lula e Trump, o relacionamento entre os dois governos segue instável, marcado por diferenças políticas e estratégicas.
Nos bastidores, a avaliação é que o novo episódio dificulta ainda mais qualquer avanço em agendas conjuntas e pode impactar acordos futuros entre os países.