Primeiro lote de insumos chega a Caracas para atender milhares de pacientes renais em meio ao agravamento da crise no país vizinho.
Ana Beatriz Publicado em 13/01/2026, às 07h40
O governo brasileiro entregou, na última sexta-feira (9), a primeira remessa de 40 toneladas de insumos médicos à Venezuela, em uma ação humanitária coordenada pelos ministérios da Saúde e das Relações Exteriores. A iniciativa, anunciada pelo ministro da Saúde Alexandre Padilha, ocorreu em meio à crise no abastecimento de material médico no país vizinho e dias após um ataque militar dos Estados Unidos que comprometeu o principal centro de distribuição de medicamentos da Venezuela.
O lote enviado inclui 110 mil kits para tratamento de hemodiálise, cateteres, dialisadores, soluções fisiológicas e outros materiais essenciais para o atendimento de pacientes renais crônicos. Segundo a chancelaria brasileira, esses insumos fazem parte de um total de 300 toneladas de ajuda humanitária reunidas com apoio de hospitais universitários federais, unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e instituições filantrópicas.
A entrega foi feita em Caracas, onde a crise da saúde pública foi agravada pela recente ofensiva militar dos Estados Unidos, que destruiu depósitos estratégicos de medicamentos, gerando risco imediato ao tratamento de milhares de pacientes. A ajuda brasileira deve beneficiar mais de 9 mil venezuelanos dependentes de tratamento hemodialítico, incluindo crianças e idosos.
Autoridades brasileiras ressaltam que a operação tem caráter exclusivamente humanitário e solidariedade regional, destacando que o envio dos materiais não afetará o atendimento de pacientes no SUS no Brasil. A ação foi organizada em conjunto com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e visa reforçar a cooperação internacional em um momento de agravamento da crise de saúde na Venezuela.
O governo federal informou que as próximas remessas, previstas para totalizar 100 toneladas de insumos inicialmente, continuarão a ser enviadas nas próximas semanas, com foco em atender necessidades emergenciais enquanto persiste a crise no sistema de saúde venezuelano.