O ex-presidente Jair Bolsonaro foi ouvido na Penitenciária da Papuda, em Brasília, no âmbito de um inquérito que investiga possíveis crimes contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
William Oliveira Publicado em 04/02/2026, às 13h19
O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento na segunda-feira (2) na Penitenciária da Papuda, em Brasília, no âmbito de um inquérito que investiga possíveis crimes contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro foi ouvido na condição de investigado, e o conteúdo da oitiva permanece sob sigilo.
A investigação foi instaurada a pedido do Ministério da Justiça e apura se o ex-presidente praticou os crimes de calúnia e injúria por meio de declarações públicas e postagens em redes sociais.
No caso da calúnia, os investigadores analisam um vídeo publicado no YouTube em 26 de março de 2025, no qual Bolsonaro teria atribuído falsamente a Lula uma ligação com traficantes de drogas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
Já a suspeita de injúria envolve publicações feitas por Bolsonaro na rede social X (antigo Twitter), nas quais ele utilizou expressões consideradas ofensivas à honra e à dignidade do atual presidente, como “cachaça” e “patifaria armada”.
A defesa do ex-presidente sustenta que as manifestações se inserem no contexto de crítica política, protegida pela liberdade de expressão no debate democrático. O argumento será analisado no decorrer do inquérito, que segue em andamento.
O caso tem origem em um episódio da campanha presidencial de 2022, quando Lula participou de um ato político no Complexo do Alemão, ocasião em que usou um boné com a sigla “CPX”.
À época, opositores do então candidato passaram a difundir a interpretação de que a sigla faria referência a organizações criminosas que atuam na região. A alegação, no entanto, foi desmentida por órgãos de checagem, que esclareceram que “CPX” é uma abreviação amplamente utilizada para o termo “complexo”, empregado para designar conjuntos de comunidades.
Expressões como CPX Alemão, CPX Maré, CPX Penha e CPX Salgueiro são exemplos comuns do uso da sigla. O inquérito busca apurar se a insistência nessas associações, mesmo após os esclarecimentos públicos, pode configurar crime.