Mauro Roberto Chekin deixou o cargo após declarações em audiência pública sobre inclusão gerarem críticas
Redação Publicado em 09/05/2026, às 18h24
O secretário de Esporte, Lazer e Juventude de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, Mauro Roberto Chekin, pediu exoneração do cargo após a forte repercussão de falas feitas durante uma audiência pública na Câmara Municipal que foram consideradas inadequadas por entidades ligadas à inclusão e ao esporte paralímpico.
Em nota, o agora ex-secretário afirmou reconhecer “erro de abordagem” ao tratar do tema inclusão no esporte e pediu desculpas pelo episódio. Ele disse ainda que pretende se dedicar ao aperfeiçoamento profissional na área e reforçou sua trajetória como professor de Educação Física da rede municipal.
O caso ganhou dimensão nacional e levou o Ministério Público de São Paulo (MPSP) a instaurar um inquérito civil para apurar a conduta do gestor, a partir de representação apresentada pela deputada estadual Andréa Werner (PSB), que atua em pautas ligadas aos direitos das pessoas com deficiência.
Entenda o caso
Durante a audiência realizada no dia 30 de abril, que tinha como objetivo a prestação de contas da secretaria, Chekin comentou experiências relacionadas ao atendimento de pessoas com deficiência em atividades esportivas. Ele se referiu a pessoas sem deficiência como “normais”, expressão que foi alvo de críticas por reforçar distinções consideradas inadequadas. Em outro momento, o então secretário mencionou dificuldades pessoais para atuar com esse público e tratou a inclusão no esporte como um "problema".
As declarações repercutiram entre órgãos federais. O Ministério do Esporte classificou o episódio como capacitismo — forma de discriminação contra pessoas com deficiência prevista na legislação brasileira — e afirmou que falas desse tipo reforçam estigmas e dificultam o avanço de políticas de acessibilidade no esporte.
O Comitê Paralímpico Brasileiro também divulgou nota de repúdio, afirmando que o posicionamento do secretário é incompatível com os princípios de inclusão, respeito e igualdade.
O conceito de capacitismo é reconhecido pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que estabelece diretrizes para garantir direitos, acessibilidade e combate a qualquer forma de discriminação contra pessoas com deficiência no país.