Durante audiência pública, Mauro Roberto Chekin afirmou que há “um problema muito grande com autistas" e disse não conseguir lidar com pessoas com deficiência

Redação Publicado em 07/05/2026, às 13h06
O secretário municipal de Esporte, Lazer e Juventude de São Caetano do Sul, Mauro Roberto Chekin, gerou indignação após afirmar, durante uma audiência pública na Câmara Municipal, que “não consegue” lidar com pessoas com deficiência. As declarações ocorreram na última terça-feira (5), durante a prestação de contas da pasta, e provocaram reações de parlamentares, entidades e órgãos ligados à inclusão.
Ao comentar sobre convites recebidos do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o secretário disse que já recusou participar de eventos ligados ao movimento paralímpico por não se sentir capaz de conviver com pessoas com deficiência. “Eu falei: não vou, eu não consigo”, declarou.
Durante a audiência, Chekin também afirmou que possui limitações psicológicas e físicas para trabalhar com esse público e classificou a inclusão como um “problema” no contexto esportivo. “Nós temos um problema muito grande com autista e qualquer ‘deficiente’”, disse o secretário ao responder questionamentos sobre a capacitação de profissionais da rede municipal para atender atletas com deficiência.
As falas foram imediatamente contestadas pela vereadora Bruna Biondi, que defendeu a garantia de políticas inclusivas no esporte. Mesmo após a intervenção, o secretário insistiu nas declarações e afirmou que a inclusão seria uma obrigação do Estado, mas não uma responsabilidade pessoal dele.
Em outro trecho da audiência, Mauro Roberto Chekin diferenciou pessoas com deficiência de pessoas “normais”, termo considerado inadequado e discriminatório por movimentos de defesa dos direitos das PCDs. O secretário ainda afirmou que não obrigaria servidores a trabalhar com pessoas com deficiência e disse que teria deixado a prefeitura caso fosse submetido a essa função no passado.
Eu não posso chegar a obrigar um profissional e falar assim: você vai trabalhar lá por com ‘deficientes’. Se falasse isso para mim, eu estaria fora da prefeitura já lá atrás”, afirmou.
As declarações repercutiram nacionalmente e foram repudiadas pelo Ministério do Esporte, que classificou o episódio como capacitismo, forma de discriminação contra pessoas com deficiência prevista na Lei Brasileira de Inclusão. A pasta afirmou que manifestações desse tipo reforçam preconceitos e dificultam o avanço de políticas públicas voltadas à acessibilidade e ao respeito à diversidade.
Em nota, o Comitê Paralímpico Brasileiro também condenou as falas e afirmou que o posicionamento do secretário é incompatível com os princípios de inclusão e respeito defendidos pelo esporte paralímpico.
Já a Prefeitura de São Caetano do Sul declarou que a discussão sobre inclusão exige evolução constante da sociedade e afirmou que conceitos antigos ainda precisam ser superados. Apesar disso, a administração municipal reconheceu a gravidade do episódio e classificou as declarações como “imperdoáveis”, embora tenha citado a complexidade do debate.
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