Casal acusou profissional de se recusar a prestar socorro a um homem no mar; confusão terminou na delegacia e é investigada como lesão corporal e desacato
Redação Publicado em 10/05/2026, às 17h28
Uma discussão envolvendo um suposto caso de afogamento terminou em agressão contra um guarda-vidas temporário, de 20 anos, na Praia da Enseada, em Guarujá, no litoral paulista. O episódio aconteceu na última quarta-feira (6) e está sendo investigado pela Polícia Civil como lesão corporal e desacato.
Imagens registradas por banhistas mostram o momento em que o profissional é atacado por um casal de turistas. Nas gravações, testemunhas tentam separar a briga enquanto a camiseta do guarda-vidas é rasgada durante a confusão.
Segundo o relato da vítima, ele realizava o monitoramento do mar quando foi avisado por uma criança de que duas pessoas estariam se afogando. O guarda-vidas contou que observou a área indicada e viu dois homens deixando a água sem aparentar dificuldades, caminhando normalmente pela praia.
Pouco depois, um dos banhistas passou a acusá-lo de omissão de socorro e exigiu que ele fosse verificar o estado do outro homem. O profissional afirmou que chegou a se aproximar do suposto afogado, mas constatou que ele estava consciente, respirando normalmente e sem necessidade de atendimento.
Ainda conforme o depoimento, o turista, de 42 anos, ficou exaltado diante da recusa do guarda-vidas em iniciar um resgate e puxou o cadeirão onde ele estava sentado, derrubando o profissional. Na sequência, a mulher do suspeito também entrou na discussão e passou a agredi-lo com chutes e empurrões, além de rasgar sua camiseta.
O casal apresentou outra versão à polícia. O homem afirmou que estava no litoral com familiares quando o cunhado entrou no mar e começou a agir de forma alterada após incorporar uma entidade espiritual ligada à religião de matriz africana da família.
De acordo com ele, o parente corria risco de afogamento e, por isso, pediu ajuda ao guarda-vidas. O turista disse que o profissional não levou a situação a sério e teria tratado o caso como “brincadeira”. Ele admitiu ter puxado o cadeirão, mas negou ter desferido socos ou chutes.
A mulher, de 27 anos, disse em depoimento, que insistiu para que o guarda-vidas prestasse socorro, mas ouviu que o homem não precisava de ajuda porque estava “em pé”. A turista também admitiu ter rasgado a camiseta do profissional após, segundo ela, ser ofendida durante a discussão.
A Polícia Militar foi acionada e encaminhou todos os envolvidos para atendimento médico antes da apresentação na delegacia. O guarda-vidas afirmou ainda que o casal apresentava sinais de embriaguez e negou ter agredido qualquer uma das partes.