Feminicídio

Uma discussão, três crianças acordadas e um desfecho que levou à pena de 33 anos

Homem é condenado por crime brutal contra a esposa

Windy, de 25 anos, foi morta na frente dos filhos, e o réu descumpriu medida protetiva antes do crime - Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 04/12/2025, às 14h23

O julgamento de Saulo Luis Ribeiro Vieira Santos, de 33 anos, encerrou nesta quinta-feira (2) um dos casos de feminicídio que mais chocaram o Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. O barbeiro foi condenado a 33 anos, 7 meses e 6 dias de prisão pela morte de sua esposa, Windy Kauane Lira Estrela Ribeiro, de 25 anos, assassinada na madrugada de 12 de janeiro de 2025.

Windy sofreu três facadas e, segundo a acusação, foi arremessada da sacada do sobrado onde morava com os três filhos do casal. A queda, de aproximadamente sete metros, causou o traumatismo craniano que foi apontado pelo laudo do Instituto Médico Legal como a causa da morte. O crime ocorreu na presença das crianças, que têm entre 5 e 8 anos.

Mesmo oficialmente casados, Windy e Saulo viviam separados. Ela residia no segundo andar do imóvel, enquanto ele dormia no térreo, onde também funcionava a barbearia do pai do réu. A vítima havia obtido uma medida protetiva que impedia Saulo de se aproximar dela, mas o documento não impediu que ele invadisse o local naquela madrugada.

Relatos e registros de ocorrências mostraram que essa não era a primeira vez que Windy sofria agressões. Em 2023 e 2024, ela já havia denunciado o então marido por episódios de violência. A última agressão tinha ocorrido meses antes, também na frente dos filhos.

Saulo foi preso em flagrante logo após vizinhos acionarem a Polícia Militar ao presenciarem parte do ataque. Ele foi levado a júri popular no Fórum Criminal da Barra Funda, onde, pela primeira vez, apresentou sua versão sobre o caso. O réu disse ter consumido álcool e drogas, alegou dificuldade em aceitar o fim do relacionamento e afirmou que apenas tentou desarmar Windy durante uma discussão. Negou ter a empurrado da sacada.

A tese não convenceu os jurados. A acusação lembrou que Windy apresentava múltiplos ferimentos além do traumatismo e que o descumprimento da medida protetiva indicava intenção de confrontar a vítima. Para o Ministério Público, o crime foi cometido de forma consciente, violenta e diante dos filhos, agravantes confirmados pela sentença.

A juíza Paula Marie Konno, da 2ª Vara do Júri, definiu a pena destacando a extrema brutalidade do caso e as circunstâncias que impediram qualquer chance de defesa por parte da vítima.

A defesa de Saulo não respondeu aos contatos da reportagem. Já o advogado assistente da acusação, Lucas Silva Santos, avaliou o resultado como um passo importante para a responsabilização. “A família estava angustiada. Embora não devolva Windy, a condenação traz algum alívio. Três crianças viram a mãe ser morta pelo pai”, disse.

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