Governador de São Paulo afirma não ter relação com Fabiano Zettel, alvo da Operação Compliance Zero, apesar de doações significativas
Letícia Sales Publicado em 14/01/2026, às 14h16
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou qualquer vínculo com o empresário Fabiano Zettel, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 14 de janeiro. Zettel foi o maior doador individual da campanha de Tarcísio ao governo paulista nas eleições de 2022.
Em nota, a assessoria do Palácio dos Bandeirantes afirmou que o governador não mantém “qualquer vínculo ou relação” com o empresário e que não tinha conhecimento prévio sobre eventuais condutas investigadas que não tenham relação com o processo eleitoral.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, Fabiano Zettel doou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas e R$ 3 milhões para a campanha de reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sendo uma das maiores doações individuais do pleito. Ele só ficou atrás de repasses feitos por diretórios partidários das coligações.
Cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, Zettel foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, enquanto se preparava para embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A detenção ocorreu para cumprimento de mandado de busca e apreensão, e o empresário foi liberado posteriormente.
Na manifestação oficial, o governo paulista destacou que a campanha de Tarcísio contou com mais de 600 doadores e que todo o processo foi conduzido dentro da legalidade. A nota ressalta ainda que as contas da campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.
Além das doações a Tarcísio e Bolsonaro, Zettel também contribuiu com R$ 10 mil para a campanha de Lucas de Vasconcelos Gonzales, candidato a deputado federal por Minas Gerais pelo partido Novo, que não foi eleito.
A nova fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada após a análise de provas reunidas na etapa inicial da investigação, realizada em novembro. Segundo a Polícia Federal, o material apontou indícios adicionais de irregularidades, o que motivou novas medidas contra os investigados. Entre os alvos está também o empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades financeiras.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que tomou conhecimento das medidas de busca e apreensão e reiterou que o empresário tem colaborado com as autoridades. Os advogados disseram ainda que Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos e que confia no devido processo legal, embora ainda não tenha tido acesso aos autos da investigação.