Policiais são presos após receberem R$ 1 milhão para travar investigação contra integrante do PCC

Investigação aponta que policiais do Denarc receberam propina para favorecer traficante preso com 345 kg de drogas

Ação da PF apura pagamento de propina envolvendo policiais - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 10/12/2025, às 12h35

Dois policiais civis do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) foram presos na manhã desta quarta-feira (10), durante uma operação conduzida pelo Gaeco, pela Corregedoria da Polícia Civil e pela Polícia Federal. Eles são suspeitos de participar de um esquema de corrupção que teria beneficiado um traficante apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). O advogado do criminoso também foi detido.

Os agentes tiveram prisão preventiva decretada. Um terceiro policial também era alvo das investigações, mas não há ordem de prisão contra ele. O trio é investigado por corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e na sede do Denarc, no bairro do Bom Retiro, região central da capital paulista.

Entenda o caso

Segundo o Ministério Público de São Paulo, o esquema ocorreu no ano passado, após a prisão de Marcos Henrique da Silva Andreoli, conhecido como “Costurado”, em Alto Garças (MT). Ele foi detido em flagrante enquanto transportava 345 kg de drogas escondidas em um fundo falso de um caminhão frigorífico. Mesmo diante das evidências, a investigação foi paralisada pouco tempo depois, e o suspeito acabou liberado.

As investigação revelou que os policiais negociaram o pagamento de R$ 1 milhão para barrar o processo contra o traficante. A quantia, de acordo com o Gaeco, foi repassada pelo advogado aos agentes. A Justiça determinou o bloqueio de bens correspondentes ao valor.

O MP afirma que, antes de ser interrompido, o inquérito havia identificado que “Costurado” atuava na logística e no financiamento da facção, além de manter um laboratório de refino de drogas em Jarinu, no interior de São Paulo.

Quebra de sigilo expôs acordo de propina

O ponto de virada da investigação ocorreu com a quebra de sigilo telemático dos suspeitos. Os promotores tiveram acesso a uma videochamada registrada em 23 de maio de 2024, na qual os três presos discutem detalhes do pagamento e mencionam o integrante da facção. Pouco tempo depois desse contato, os agentes adquiriram imóveis considerados incompatíveis com seus rendimentos públicos.

O advogado preso, já foi condenado a 30 anos de prisão por extorsão mediante sequestro e associação criminosa. Em 2006, ele manteve uma criança em cativeiro por 64 dias, mas foi solto em 2010.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública declarou que “não tolera desvios de conduta por parte de seus agentes” e que medidas administrativas serão adotadas paralelamente às apurações criminais e disciplinares.

As investigações seguem em andamento.

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