Meio Ambiente

Polícia Federal prende diretores de agências por fraudes em licenciamento ambiental

Operação revela esquema de corrupção e danos ao meio ambiente

Operação revela esquema de corrupção e danos ao meio ambiente - Imagem: Reprodução / Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 17/09/2025, às 14h59

Na manhã desta quarta-feira (17), a Polícia Federal (PF) efetuou a prisão preventiva de Caio Mário Trivellato Seabra Filho, atual diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), e Rodrigo de Melo Teixeira, ex-diretor da PF e atual diretor de Administração e Finanças do Serviço Geológico do Brasil (SGB). A operação, denominada Rejeito, foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e também incluiu o cumprimento de 79 mandados de busca e apreensão.

A investigação foca em alegações de fraudes no processo de autorização para exploração de minério de ferro em Minas Gerais. Trivellato, advogado especializado em direito ambiental, ocupou cargos relevantes na ANM desde 2020, incluindo assessor na Resolução de Conflitos e superintendente da área de Ordenamento Mineral. Em maio deste ano, foi nomeado interinamente como diretor da agência.

Rodrigo Teixeira, por sua vez, possui uma longa trajetória na Polícia Federal desde 1999, tendo exercido diversas funções importantes, como a Superintendência em Minas Gerais a partir de 2018 e a Diretoria de Polícia Administrativa entre 2023 e 2024. Ele também atuou como secretário adjunto na Prefeitura de Belo Horizonte e na Secretaria de Defesa Social do estado de Minas Gerais.

Em resposta às prisões, a Justiça Federal determinou o afastamento cautelar dos investigados que ocupam cargos públicos. Todos os envolvidos enfrentam acusações sérias que incluem crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução das investigações.

De acordo com as autoridades, os detidos estariam manipulando autorizações e licenças ambientais para extrair minério de ferro irregularmente em áreas protegidas e tombadas, o que poderia resultar em sérios danos ambientais e riscos sociais significativos. O esquema criminoso se sustentava na corrupção de servidores públicos responsáveis pela fiscalização ambiental e mineral.

A PF revelou que a organização tinha como objetivo dificultar as investigações e monitorar ações do Estado, utilizando vários métodos para ocultar os recursos financeiros obtidos através das atividades ilícitas. Estima-se que o grupo tenha gerado uma receita mínima de R$ 1,5 bilhão ao longo do tempo. Em decorrência disso, a Justiça Federal em Minas Gerais ordenou o bloqueio das contas dos envolvidos.

Além dos dois diretores citados, outros 20 indivíduos foram alvos de mandados judiciais relacionados à operação. Os nomes desses demais investigados ainda não foram divulgados.

A ANM comunicou que tomou ciência da operação através da mídia e ainda não recebeu notificações oficiais sobre as ações judiciais que precisa seguir. A agência reiterou seu compromisso com a colaboração às autoridades sempre que formalmente solicitada.

Por sua parte, o SGB declarou que não comentará sobre processos internos envolvendo seus colaboradores no momento, reafirmando sua adesão aos princípios éticos e legais enquanto se coloca à disposição para colaborar com as investigações pertinentes

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