Operação Tarja Preta prendeu dois suspeitos e cumpriu mandados no Rio de Janeiro; líder do grupo foi capturado na Flórida e será deportado
Gabriela Nogueira Publicado em 11/11/2025, às 19h21
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (11) a Operação Tarja Preta, uma ação conjunta entre autoridades brasileiras e norte-americanas que mira um esquema de exportação irregular de medicamentos controlados do Brasil para os Estados Unidos. A investigação aponta que o grupo enviava, sem prescrição médica, substâncias classificadas como psicotrópicas, burlando as normas sanitárias dos dois países.
As equipes da PF cumpriram um mandado de prisão temporária e seis de busca e apreensão em Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Durante as diligências, duas pessoas foram presas: o líder da organização, localizado em Orlando, na Flórida, e um investigado detido em flagrante com medicamentos ilegais em casa. O primeiro deverá ser deportado para o Brasil após os trâmites legais nos Estados Unidos.
De acordo com os investigadores, o esquema vinha sendo monitorado desde 2023 e funcionava com estrutura empresarial, envolvendo farmácias, intermediários e receptadores. A operação identificou o envio frequente de remédios de tarja preta, como Zolpidem, Alprazolam, Clonazepam, Pregabalina e Ritalina, todos de uso controlado pelo Ministério da Saúde.
Os produtos eram despachados ao exterior de forma disfarçada, utilizando o serviço postal e empresas de transporte privado. Parte das remessas foi interceptada em parceria com a U.S. Customs and Border Protection (CBP) e a Drug Enforcement Administration (DEA), que auxiliaram na localização dos suspeitos fora do país.
A PF também encontrou movimentações financeiras suspeitas relacionadas às vendas, indicando possível lavagem de dinheiro e financiamento das atividades ilegais. Ao todo, seis pessoas físicas e duas empresas são investigadas. Nenhum nome foi divulgado até o momento.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de organização criminosa e tráfico internacional de drogas, além de outros delitos conexos. A operação contou ainda com apoio do Ministério Público Federal (MPF) e dos Correios, que colaboraram na análise das encomendas e na coleta de evidências.
Com a ação, a Polícia Federal reforça o combate ao comércio ilegal de substâncias controladas, que tem crescido com o aumento das vendas pela internet e o envio transnacional de medicamentos sem controle médico.