Metanol

Operação em SP destrói estoque de garrafas usadas por falsificadores de bebidas

Iniciativa da Polícia Civil busca combater o mercado ilegal e reduzir impactos ambientais

Desde o início da força-tarefa, 57 pessoas foram presas em operações contra a adulteração e falsificação de bebidas em São Paulo - Imagem: Reprodução/Agência SP

Gabriela Nogueira Publicado em 15/10/2025, às 19h38

A Polícia Civil de São Paulo realizou, na quarta-feira (15), a destruição de mais de 100 mil garrafas apreendidas em um depósito clandestino na zona leste da capital. A operação, conduzida pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), integra as investigações sobre a falsificação de bebidas alcoólicas com metanol.

Os vasilhames, com peso estimado em sete toneladas, foram encaminhados à O-I Glass — maior fabricante de embalagens de vidro do mundo — após autorização judicial.

Segundo o delegado Ronald Quene, responsável pela Cerco, a iniciativa é estratégica no combate ao crime:

“Retirar essa quantidade de garrafas de circulação impede o uso indevido de embalagens originais para envasar produtos adulterados. Além disso, o processo garante destinação ambientalmente correta ao material”, destacou.
O depósito foi descoberto em 6 de outubro, durante ação da Cerco na Vila Formosa. No local, os agentes encontraram 103 mil garrafas vazias e cerca de 6 mil com bebidas sem procedência. A Vigilância Sanitária interditou o espaço, e dois homens, de 46 e 61 anos, foram presos e seguem sob investigação.

Quene explicou que o esquema criminoso atua em várias etapas:

“Garrafeiros recolhem embalagens usadas e as revendem irregularmente. Depois, os falsificadores reutilizam as garrafas e comercializam as bebidas como se fossem originais. Ao eliminar esse material, enfraquecemos a rede criminosa e protegemos o consumidor.”
A destruição ocorreu no mesmo dia da operação. O material foi pesado, triturado e misturado a outras cargas recicláveis antes de ser fundido em fornos industriais que atingem 1.400 °C, processo que transforma o vidro em matéria-prima reutilizável.

Além de desarticular parte da estrutura do mercado ilegal, a ação também gera benefícios ambientais.

“Essa medida não apenas combate a falsificação, como garante um descarte responsável e sustentável. O vidro reciclado voltará à cadeia produtiva, reduzindo impactos ambientais”, ressaltou o delegado.
Desde o início da força-tarefa voltada ao combate à adulteração e falsificação de bebidas, 57 pessoas já foram presas em diferentes operações realizadas pela Polícia Civil.

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