Motéis em SP movimentaram R$ 450 milhões para lavagem de dinheiro do PCC

Cerca de 60 estabelecimentos eram usados para distribuir lucros do crime organizado, segundo Operação Spare da Receita Federal e MPSP

Motéis do PCC usados para lavar dinheiro são alvo da Receita Federal - Imagem: Divulgação | Receita Federal

Lívia Gennari Publicado em 25/09/2025, às 12h16

Investigações da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo (MPSP), apontam que cerca de 60 motéis, registrados em nomes de laranjas, eram usados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavagem de dinheiro do crime organizado. Entre 2020 e 2024, esses estabelecimentos movimentaram mais de R$ 450 milhões.

A descoberta acontece no âmbito da Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira (25), que investiga o esquema ilegal do PCC nos setores de combustíveis e jogos de azar. De acordo com a Receita Federal, os motéis eram usados para ampliar o patrimônio dos sócios ligados à facção, com distribuição de cerca de R$ 45 milhões em lucros distribuídos.

Em alguns casos, a operação financeira dos motéis ultrapassava a receita declarada. Um dos estabelecimentos chegou a distribuir 64% da receita bruta registrada, enquanto restaurantes dentro dos motéis, com CNPJs próprios, também integravam o esquema. Um desses restaurantes distribuiu R$ 1,7 milhão em lucros após registrar receita de R$ 6,8 milhões entre 2022 e 2023. Além dos motéis, o PCC também atuava em lojas de franquias e empreendimentos da construção civil.

Os motéis investigados estão localizados na capital, região metropolitana e litoral paulista. Durante as fiscalizações, a Receita Federal identificou 21 CNPJs ligados a 98 estabelecimentos de uma mesma franquia, todos em nome de alvos da operação

Embora funcionassem normalmente, as empresas apresentavam indícios de lavagem de dinheiro: entre 2020 e 2024, movimentaram cerca de R$ 1 bilhão, mas emitiram apenas R$ 550 milhões em notas fiscais.

A movimentação financeira desses motéis era muito diferente do que eles declaravam como receita. Fica claro que ali não é apenas receita do serviço de motel, mas dinheiro ilegal sendo movimentado como se fosse atividade empresarial legítima”, afirmou Márcia Meng, superintendente da Receita Federal em São Paulo.

A Operação Spare cumpre 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santo André, Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco. Participam da operação 64 servidores da Receita Federal, 28 do MPSP, representantes da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado (Sefaz-SP) e cerca de 100 policiais militares.

A ação atual, chamada Spare, é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que identificou o uso de fintechs da Faria Lima pelo PCC para movimentações financeiras ilegais.

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