Karen de Moura Tanaka Mori poderá permanecer em Santos entre 20 de dezembro e 5 de janeiro; liberação considerou questões humanitárias e mantém medidas cautelares.
Ana Beatriz Publicado em 20/12/2025, às 12h04
A Justiça de São Paulo autorizou que Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como ‘Japa’ e investigada por associação criminosa e lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), passe as festas de Natal e Ano Novo com a família em Santos, no litoral paulista. A decisão permite que ela permaneça na residência da mãe, no bairro do Boqueirão, entre os dias 20 de dezembro e 5 de janeiro.
Atualmente, Karen cumpre medidas cautelares impostas pela Justiça e é monitorada por tornozeleira eletrônica na capital paulista, onde reside. Ela foi presa em fevereiro de 2024 durante a Operação Verão, quando foram apreendidos mais de R$ 1 milhão e 50 mil dólares. Posteriormente, a prisão foi convertida em domiciliar e, depois, revogada, com a imposição de restrições como recolhimento noturno, proibição de ausentar-se sem autorização judicial e monitoramento eletrônico.
A autorização foi concedida pela 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. Na decisão, o juiz Tiago Ducatti Lino Machado determinou que todas as medidas cautelares continuem sendo rigorosamente cumpridas, incluindo a permanência no endereço autorizado durante o período noturno, fins de semana e feriados.
O pedido da defesa levou em consideração questões humanitárias e familiares, especialmente a convivência do filho menor de idade com a avó materna durante as férias escolares e as festas de fim de ano. Os advogados também destacaram que a mãe de Karen é idosa e não possui condições físicas para se deslocar até São Paulo, tornando a liberação a única oportunidade de encontro familiar no período.
O juiz e o Ministério Público entenderam que a medida não compromete a instrução criminal nem representa risco às investigações, que seguem em andamento. No início de dezembro, a Justiça determinou a realização de novas diligências pela Polícia Civil para aprofundar apurações sobre a atuação de Karen nos crimes investigados.
Segundo a Polícia Civil, Karen é apontada como uma das principais responsáveis pela lavagem de dinheiro do tráfico de drogas do PCC na Baixada Santista. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que uma empresa criada por ela movimentou mais de R$ 35 milhões. As investigações apontam que os valores eram lavados por meio de empresas em nome de terceiros.
Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como ‘Cabelo Duro’, executado em 2018 e apontado como um dos principais chefes do PCC. Ele também foi investigado por roubos em marinas de luxo e por envolvimento no assassinato de um policial militar. A Polícia Civil apura ainda possíveis ligações dele com a morte de outros integrantes da facção.