ESTELIONATO

Golpe do falso advogado: Polícia Civil prende oito suspeitos em São Paulo; entenda o esquema

Grupo criminoso acessava dados de processos judiciais e exigia pagamentos indevidos, causando prejuízos superiores a R$ 500 mil; investigação cumpriu mandados na capital e no litoral paulista

Operação Quimera bloqueou contas bancárias, apreendeu veículos e equipamentos eletrônicos - Imagem: Reprodução | Polícia Civil

Lívia Gennari Publicado em 15/08/2025, às 15h00 - Atualizado às 17h00

Em uma ação conjunta deflagrada nesta sexta-feira (15), a Polícia Civil de São Paulo prendeu oito suspeitos de integrar uma quadrilha especializada no golpe do falso advogado. Batizada de Operação Quimera, a investigação tinha como objetivo desarticular financeiramente o grupo, acusado de enganar vítimas usando dados de advogados reais para aplicar fraudes em processos judiciais.

A operação foi coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em parceria com a Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil do Distrito Federal, e cumpriu nove mandados de busca e apreensão na capital e no litoral paulista, nos municípios de São Sebastião e Mongaguá.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos carros, celulares, computadores, dinheiro em espécie, além do bloqueio de mais de R$ 500 mil em contas bancárias e criptomoedas pertencentes ao grupo.

Entenda o esquema fraudulento

De acordo com a investigação, os criminosos utilizavam credenciais vazadas de advogados para acessar processos judiciais eletrônicos e colher informações sigilosas das ações. Em posse desses dados, faziam contato com as vítimas, passando-se por advogados ou funcionários de escritórios, e solicitavam o pagamento de falsas taxas, custas ou impostos para suposta liberação de valores relacionados ao processo, como no caso de precatórios.

Enganadas pela aparente legitimidade da apresentação dos falsos advogados e das solicitações, as vítimas acabavam realizando os pagamentos. Uma delas, de 65 anos, residente no Distrito Federal, sofreu prejuízo superior a R$ 500 mil, segundo a polícia.

Os presos vão responder por estelionato qualificado por meio eletrônico, lavagem de dinheiro e associação criminosa, com penas que, se somadas, podem ultrapassar 23 anos de prisão. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e possíveis vítimas da quadrilha.

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