Investigação do Deic aponta que grupo simulava problemas em produtos para receber estornos indevidos; 17 pessoas foram presas no litoral de SP

Lívia Gennari Publicado em 15/08/2025, às 14h00 - Atualizado às 17h32
Uma operação deflagrada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) na última quinta-feira (14), resultou na prisão de 17 pessoas suspeitas de integrar um esquema de estelionato voltado a fraudar grandes empresas de e-commerce. O grupo, segundo as investigações, lucrava aplicando golpes durante o processo de compra e devolução de produtos, causando prejuízos às empresas.
Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de prisão e de busca e apreensão, expedidos pela Justiça, em cidades do litoral paulista e também no estado de Santa Catarina. Durante as diligências, os policiais flagraram um suspeito com um telefone celular roubado, o que levou à prisão em flagrante. Os demais presos foram capturados e encaminhados para a sede do Deic, em São Paulo.
A ação foi coordenada pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Violação de Dispositivos Eletrônicos e Rede de Dados (3ª DCCiber), unidade especializada em crimes cibernéticos. Cerca de 350 policiais civis participaram do cumprimento das ordens judiciais. Todas as unidades do Deic foram mobilizadas para dar suporte à operação, que vinha sendo planejada há meses com base em análises de dados, quebras de sigilo e monitoramentos.
Como funcionava o esquema criminoso?
De acordo com a polícia, o grupo realizava compras em grandes varejistas digitais, recebendo normalmente os produtos adquiridos. Em um segundo momento, entrava em contato com a empresa para alegar algum tipo de irregularidade no item, como defeito ou divergência, solicitando a devolução e o reembolso. No entanto, durante o processo de retorno, os suspeitos simulavam o envio dos produtos, mas não despachavam os itens, ficando com o dinheiro e com a mercadoria.
Em alguns casos, os criminosos chegavam a apresentar comprovantes falsos de postagem para convencer as empresas a realizar o estorno dos valores. A prática teria sido repetida diversas vezes, com diferentes cadastros falsos criados especificamente para dificultar o rastreamento do esquema.
Os detidos vão responder pelos crimes de estelionato e associação criminosa. Após o registro da ocorrência, eles permaneceram à disposição da Justiça, que decidirá sobre a decretação da prisão preventiva. O Deic informou que novas diligências serão realizadas para identificar outros envolvidos e apurar o montante total do prejuízo causado às empresas.
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