Suspeito de desviar milhões via PIX é solto, mas acaba detido novamente

Gabriel Spalone havia sido preso no Panamá, foi liberado e depois acabou sendo detido na Argentina; defesa afirma que vai solicitar habeas corpus no STF

Gabriel Spalone foi preso novamente ao desembarcar no aeroporto de Ezeiza, na Grande Buenos Aires - Imagem: Reprodução | TV Globo

Lívia Gennari Publicado em 28/09/2025, às 12h26

O influenciador e empresário Gabriel Spalone, de 29 anos, investigado por suspeita de envolvimento em um esquema que teria desviado R$ 146 milhões via PIX, foi liberado na tarde do último sábado (27) no Panamá, após ser detido na sexta-feira (26) pelo Setor de Imigração do Aeroporto Internacional do país, segundo sua defesa.

De acordo com o advogado Eduardo Maurício, as autoridades panamenhas foram informadas de que Spalone não possuía ordem de prisão internacional nem constava na lista de procurados da Interpol, o que motivou sua liberação para seguir viagem a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

No entanto, horas depois, ele entrou na lista de alerta vermelho da Interpol. Segundo a Delegacia de Crimes Cibernéticos de São Paulo, a inclusão de Gabriel Spalone na Difusão Vermelha da Interpol foi realizada em ação conjunta da Polícia Civil paulista com a Polícia Federal.

Prisão na Argentina

Após ser liberado no Panamá, o empresário foi detido novamente na noite de sábado (27), ao desembarcar no aeroporto da cidade de Ezeiza, na Grande Buenos Aires, por ter seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol a pedido das autoridades brasileiras. Segundo o advogado que o representa, Spalone deve passar por audiência de custódia em Buenos Aires na próxima segunda-feira (29).

A defesa ainda afirmou que vai pedir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), com objetivo de revogar a prisão no Brasil, o que pode refletir em liberdade imediata na Argentina.

“Recentemente apresentamos todas as provas que demonstram a inexistência de crime por parte do influencer e também requeremos a revogação da sua prisão preventiva, que está aguardando decisão judicial da Justiça de São Paulo”, disse o advogado.

Spalone é considerado foragido desde terça-feira (23), quando a Polícia Civil deflagrou a “Operação Dubai”. Há um mandado de prisão temporária contra ele, por suspeita de participação em um esquema que desviou R$ 146 milhões via PIX de um banco e de empresas vítimas das transferências ilegais.

Entenda o esquema

Na terça-feira (23), a Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão temporária contra Spalone, mas o influenciador não foi localizado. Outras duas pessoas foram presas: Guilherme Sateles Coelho e Jesse Mariano da Silva, que teriam se beneficiado com quase R$ 75 milhões do esquema.

De acordo com a investigação, as empresas de Spalone ofereciam serviços financeiros digitais, como transações de câmbio, criptomoedas e pagamentos, sem autorização do Banco Central para operar transferências diretas via PIX. Por isso, utilizavam contas de bancos e instituições financeiras autorizadas para realizar as operações, prática conhecida como “PIX indireto”, considerada ilegal.

Em fevereiro deste ano, as empresas de Spalone teriam realizado, em menos de cinco horas, mais de 600 transferências ilegais por PIX indireto, a partir de dez contas do empresário, totalizando R$ 146 milhões. A ação rápida do banco afetado permitiu recuperar cerca de R$ 100 milhões, mas ainda houve um prejuízo estimado em R$ 39 milhões.

Atualmente, Gabriel Spalone segue sendo investigado no Brasil e deverá prestar esclarecimentos sobre o esquema de desvio milionário via PIX. A defesa mantém o argumento de que o empresário não cometeu irregularidades e que todos os documentos e provas já foram apresentados às autoridades competentes.

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