Plataforma enfrenta novo inquérito do Ministério Público após Polícia Civil identificar líderes e conteúdos ilegais, incluindo pornografia infantil e crueldade contra animais
Lívia Gennari Publicado em 20/02/2026, às 13h24
O Discord voltou a ser alvo de apuração do Ministério Público de São Paulo (MPSP) depois que a Polícia Civil apresentou novos indícios de crimes cometidos em servidores da plataforma. Entre as denúncias, estão a divulgação de pornografia infantil, aliciamento de menores, transmissões de automutilação e eventos de crueldade contra animais. As investigações também identificaram jovens líderes que orientavam e incentivavam a prática desses delitos.
Um dos suspeitos é um brasileiro de 18 anos, natural do Rio de Janeiro e residente na França, apontado como um dos principais responsáveis pela disseminação de conteúdos ilegais no Discord. Segundo o Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil, ele teria criado um dos maiores servidores de armazenamento de pornografia infantil da plataforma e atuava como líder e financiador de um grupo criminoso, custeando fianças, ataques e aquisição de materiais usados nos crimes. O jovem já foi formalmente intimado pelas autoridades francesas e está registrado no alerta azul da Interpol.
Na mira do MP
O MPSP já havia aberto um inquérito civil contra o Discord em junho de 2023, que foi arquivado em outubro do ano passado, mas reaberto em fevereiro deste ano. No relatório enviado à promotoria em 9 de fevereiro, o Noad apontou que o Discord não adota mecanismos preventivos eficazes, permitindo o anonimato e a baixa rastreabilidade de usuários, além de atender de forma tardia ou incompleta solicitações de remoção de servidores. Foram identificados 63 casos de demora na ação da plataforma e sete situações em que dados de suspeitos não foram fornecidos corretamente.
No dia seguinte ao envio do relatório, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) solicitou ao MPSP a abertura de inquérito para investigar a responsabilidade da plataforma em casos de violência contra animais, após a repercussão do assassinato do cão Orelha, em Florianópolis.
A Polícia Civil alerta que a maior parte das vítimas de crimes no Discord são adolescentes, em especial meninas, e que a plataforma apresenta um padrão consistente de omissão operacional, permitindo que usuários reincidentes continuem cometendo delitos graves.