Crime

Casal de pastores usava regra da igreja para esconder abusos sexuais, diz polícia

Investigação aponta que líderes religiosos manipulavam adolescentes com argumentos de fé e utilizavam estatuto interno para intimidar vítimas e evitar denúncias

Casal de pastores usava regra da igreja para esconder abusos sexuais, diz polícia - Imagem: Reprodução

Manoela Cardozo Publicado em 25/07/2026, às 11h43

Os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24, são suspeitos de utilizar regras internas da igreja que lideravam em Boa Vista (RR) para impedir denúncias de abuso sexual contra adolescentes. Segundo a Polícia Civil, o casal está foragido e é investigado por crimes contra seis vítimas, com idades entre 12 e 17 anos.

De acordo com as investigações, Wenderson e Arielly se aproveitavam da posição de liderança religiosa para manipular psicologicamente as adolescentes, convencendo-as de que os abusos faziam parte de um suposto propósito espiritual.

A Polícia Civil afirma que um estatuto criado pela própria igreja, em agosto de 2021, previa punições para fiéis considerados "rebeldes" ou que contestassem a autoridade da liderança. Para os investigadores, o documento servia como mecanismo para intimidar membros e dificultar denúncias.

"Olhando mais a fundo, pode-se constatar que as regras da igreja foram criadas por Wenderson para blindá-lo", afirma trecho do inquérito policial.

Segundo a investigação, o pastor se apresentava como "ungido de Deus" e principal autoridade da congregação, criando um ambiente em que as vítimas acreditavam que questioná-lo significava desafiar a própria vontade divina.

A delegada responsável pelo caso destacou que a influência religiosa exercida sobre adolescentes em formação tornava ainda mais difícil que elas resistissem ou denunciassem os abusos.

Além de presidente da igreja, Wenderson também era responsável pelas decisões disciplinares da instituição. Já Arielly ocupava o cargo de vice-presidente.

Wenderson é investigado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.

A investigação teve início em abril, após a denúncia de uma adolescente de 14 anos. Durante as apurações, outras cinco vítimas procuraram a polícia e relataram terem sofrido abusos semelhantes.

Em nota, a defesa do casal afirmou que ambos são inocentes, não possuem antecedentes criminais e aguardam acesso aos autos para se manifestar oficialmente sobre o pedido de prisão.

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