Justiça

Braço direito de Vorcaro tenta tirar a própria vida na carceragem da PF

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, foi reanimado por agentes, atendido pelo Samu e levado a hospital em Minas Gerais

Sicário do Banco Master é levado às pressas ao hospital. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.

Erika Osti Publicado em 04/03/2026, às 18h33

Preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, tentou tirar a própria vida nesta quarta-feira (4) na carceragem da Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais. Segundo a corporação, ele foi socorrido por policiais que faziam a custódia, recebeu atendimento do Samu ainda nas dependências da PF e, em seguida, foi encaminhado a um hospital. A instituição informou que abrirá procedimento interno para apurar as circunstâncias do ocorrido e que os registros em vídeo serão disponibilizados às autoridades responsáveis pelo caso.

Mourão havia sido detido por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que também decretou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de Fabiano Zettel, cunhado do empresário. A investigação aponta que Mourão atuava como operador de uma estrutura paralela voltada à vigilância e intimidação de pessoas vistas como contrárias aos interesses do grupo ligado ao Banco Master.

De acordo com a Polícia Federal, ele seria responsável por obter informações sigilosas, monitorar funcionários e críticos e neutralizar situações consideradas sensíveis. Mensagens interceptadas mostram que o banqueiro acionava o comparsa para acompanhar empregados e levantar dados pessoais. Em uma das conversas, há referência a ordem para intimidar uma funcionária que o estaria ameaçando.

Os investigadores afirmam ainda que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços e que teria acessado indevidamente sistemas restritos, incluindo bases da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais. A decisão do ministro também menciona indícios de discussões sobre a simulação de um crime para atingir o jornalista Lauro Jardim, hipótese negada pela defesa de Vorcaro.

A Polícia Federal comunicou o episódio ao gabinete do relator no STF. A defesa de Mourão disse ter sido surpreendida com a tentativa de suicídio e enviou advogado à sede da corporação para acompanhar o caso. Mais cedo, ele exerceu o direito de permanecer em silêncio durante depoimento.

As investigações sobre o grupo apontam para suspeitas de fraudes de grandes proporções, com estimativas bilionárias de prejuízo a clientes.

Se precisar, peça ajuda. Pessoas com pensamentos de autolesão podem buscar apoio no Centro de Valorização da Vida pelo telefone 188, com atendimento gratuito e 24 horas.

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