Rio de Janeiro

Apenas 59 dos mortos na Operação Contenção no RJ tinham mandatos de prisão pendentes

Relatório revela que 54% dos mortos eram de outros estados e 97 tinham antecedentes criminais

Relatório revela que 54% dos mortos eram de outros estados e 97 tinham antecedentes criminais - Imagem: Reprodução / Joedson Alves / Agencia Brasil

Gabriela Thier Publicado em 03/11/2025, às 15h56

No último domingo (2), a Polícia Civil do Rio de Janeiro apresentou o perfil e as imagens de 115 das 117 pessoas que perderam a vida durante a Operação Contenção, realizada no dia 28 de outubro nos Complexos do Alemão e da Penha, localizados na zona norte da cidade. O levantamento foi elaborado pela Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Estado.

Conforme informado em um comunicado à imprensa, a investigação revelou que mais de 95% dos indivíduos identificados tinham vínculos comprovados com o Comando Vermelho, uma das facções criminosas mais ativas na região. Além disso, 54% dos mortos eram oriundos de outros estados brasileiros. Apenas dois dos laudos realizados resultaram em perícias inconclusivas.

A Polícia Civil ressaltou que 97 das vítimas apresentavam antecedentes criminais significativos, com 59 delas possuindo mandados de prisão pendentes. O relatório oficial reconhece que 17 indivíduos não tinham histórico criminal, mas investigações subsequentes apontaram que 12 deles exibiam indícios de envolvimento com o tráfico de drogas em suas redes sociais.

A lista das vítimas é apresentada sob o termo “neutralizados” e indica que 62 delas eram provenientes de outros estados: 19 do Pará, 9 do Amazonas, 12 da Bahia, 4 do Ceará, 2 da Paraíba, 1 do Maranhão, 9 de Goiás, 1 de Mato Grosso, 3 do Espírito Santo, 1 de São Paulo e 1 do Distrito Federal.

O relatório policial também aponta que existem líderes de organizações criminosas atuando no Rio de Janeiro oriundos de 11 estados diferentes, abrangendo quatro das cinco regiões do Brasil. O principal alvo da operação, Edgar Alves de Andrade – conhecido como "Doca" e considerado líder do Comando Vermelho – continua em liberdade seis dias após a execução da operação.

É importante destacar que nenhuma das pessoas falecidas havia sido denunciada à Justiça pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Em resposta aos acontecimentos da operação, a Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro estabeleceu um observatório com a finalidade de monitorar a conformidade legal das ações realizadas pelas polícias Civil e Militar durante a Operação Contenção.

Por sua vez, o Ministro Alexandre de Moraes, membro do Supremo Tribunal Federal (STF), programou para esta segunda-feira (3) uma série de cinco reuniões com autoridades fluminenses e cariocas, começando pelo encontro com o governador Cláudio Castro e seus assessores na área da Segurança Pública.

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