Mensagens interceptadas durante a Operação Contenção Red Legacy confirmam acordo de paz entre as duas maiores facções do país
Redação Publicado em 13/03/2026, às 14h44
A Operação Contenção Red Legacy, deflagrada na última quarta-feira (11), trouxe à tona evidências inéditas de cooperação entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), as duas maiores facções criminosas do Brasil. O levantamento resultou na prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) e de seis policiais militares, e revelou mensagens que apontam o alinhamento estratégico entre os grupos.
Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, os diálogos interceptados indicam que o CV e o PCC firmaram um acordo de paz em fevereiro do ano passado, encerrando uma guerra que, na avaliação das lideranças, só favorecia os “algozes” das facções. Entre os comunicados, aparecem mensagens atribuídas a Edgar Alves Andrade, conhecido como Doca, um dos principais líderes do CV, e a um integrante do PCC identificado como "São Paulo".
Em 14 de fevereiro de 2025, a mensagem enviada por “São Paulo” detalha o acordo e justifica o fim dos confrontos: “Pessoas inocentes estão sendo executadas por pura banalidade, o que é inadmissível e contraria a ideologia de ambas as siglas”.
Onze dias depois, outro comunicado confirma formalmente a aliança, destacando que o “bem mais que se chama vida” deve ser preservado e anunciando que, a partir de 25 de fevereiro, as facções passaram a operar sob princípios de paz, justiça, liberdade, lealdade e fraternidade.
O CV, por sua vez, reforça em seus comunicados que o objetivo é "buscar progresso priorizando a ética do crime, o respeito e os direitos iguais para todos”, mantendo-se firme na luta contra o que definem como “instrumentos e sequelas do autoritarismo que assola nossa nação”.
A investigação aponta ainda que o estatuto do CV, apresentado em ao menos 15 artigos por Doca, regulamenta condutas internas e orienta o relacionamento com outras organizações criminosas.