MP-SP aponta desvio de R$ 41,2 mil em verba da Saúde para realização de ritual espiritual na cidade de Ribeira
Lívia Gennari Publicado em 06/08/2025, às 14h57 - Atualizado às 17h57
A vice-prefeita e secretária de Saúde de Ribeira, no interior de São Paulo, Juliana Maria Teixeira da Costa, foi afastada dos cargos após ser denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por associação criminosa, peculato, fraude à licitação, uso de documento falso e falsidade ideológica. De acordo com a Promotoria, ela teria desviado R$ 41,2 mil dos cofres públicos para contratar uma mãe de santo com o objetivo de realizar uma amarração amorosa.
A denúncia, feita no último dia 30 de julho, aponta que o valor foi transferido à “Mentora Samantha” por meio da empresa W.F. da Silva Treinamentos, contratada pela Prefeitura de Ribeira. Juliana teria encomendado o ritual espiritual para afastar o coordenador de Saúde, Lauro Olegário da Silva Filho, da esposa dele e tentar iniciar um relacionamento afetivo com ele.
Além da vice-prefeita, o próprio Lauro e o dono da empresa, William Felipe da Silva, também foram denunciados. A Promotoria afirma que os três atuaram em conjunto para fraudar processos licitatórios e desviar recursos públicos.
Fraudes, contratos e notas fiscais falsas
De acordo com o MPSP, o grupo teria fraudado dois pregões para direcionar contratos à empresa de William, que recebeu repasses irregulares por serviços que não foram prestados. Entre os indícios apresentados estão o uso de nota fiscal falsa, supostamente referente a serviços médicos realizados entre os dias 1º e 21 de agosto de 2024, período em que a unidade de saúde da cidade sequer estava em funcionamento.
O documento foi emitido e pago em apenas 12 minutos, e o valor transferido logo em seguida para uma conta de terceiro sem vínculo com a saúde municipal. A investigação aponta que o dinheiro teria sido utilizado para pagar a cerimônia espiritual. Capturas de tela divulgadas por um perfil nas redes sociais e mencionadas por um vereador reforçaram as suspeitas e motivaram a denúncia.
Além do suposto “casamento espiritual”, o MP identificou outras irregularidades, como pagamentos indevidos a Lauro por meio de dispensas de licitação, reembolsos por viagens não especificadas e prestação genérica de serviços em diversas áreas: de jardinagem a impressão personalizada de camisetas.
Decisão da Justiça
Na última segunda-feira (4), a Justiça acolheu os pedidos do Ministério Público e determinou o afastamento imediato de Juliana e Lauro dos cargos que ocupavam na administração municipal. Também foram impostas medidas cautelares, como:
A Justiça ainda determinou o cancelamento dos contratos firmados entre a Prefeitura de Ribeira e a empresa W.F., além da proibição de novos vínculos durante a apuração dos fatos. O valor mínimo solicitado pelo MP para reparação dos danos é de R$ 41,2 mil.
Juliana Teixeira se manifesta
Após a repercussão do caso, Juliana Maria Teixeira divulgou uma nota pública em que nega todas as acusações. A vice-prefeita afirma ser vítima de uma campanha caluniosa movida por interesses políticos e que pretende tomar medidas legais para proteger sua imagem.
“Estou sendo alvo de uma campanha difamatória baseada em fatos distorcidos e acusações levianas. Tenho confiança na Justiça e acredito que a verdade prevalecerá”, declarou.
Juliana também informou ter registrado um boletim de ocorrência contra os autores das denúncias e disse estar à disposição das autoridades para esclarecer todos os pontos da investigação.
O caso segue em apuração, e a decisão judicial ainda cabe recurso.