Mulher atropelada e arrastada na Marginal Tietê morreu após quase um mês internada; acusado segue preso
Gabriela Nogueira Publicado em 26/12/2025, às 11h59
O sepultamento de Tainara Souza Santos, realizado nesta sexta-feira (26) no Cemitério São Pedro, na Zona Leste de São Paulo, foi marcado por comoção, protestos e pedidos de justiça. Amigos e familiares transformaram a despedida em um ato de memória e cobrança por respostas após a Polícia Civil reclassificar o caso como feminicídio consumado.
Tainara morreu na quarta-feira (24), depois de permanecer internada por 25 dias no Hospital das Clínicas. Ela foi atropelada e arrastada na Marginal Tietê, na zona norte da capital, em um episódio que, segundo a investigação, ocorreu após uma discussão motivada por ciúmes. O suspeito, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, foi preso no dia seguinte ao crime e segue detido.
Durante o velório e o sepultamento, pessoas próximas vestiam camisetas com a foto de Tainara e carregavam cartazes com mensagens de indignação. O protesto foi silencioso, mas carregado de emoção. Em meio às homenagens, amigas pediram mudanças efetivas para proteger mulheres da violência. Uma delas resumiu o sentimento coletivo ao questionar quem pode ser a próxima vítima.
Mãe de dois filhos, um menino de 12 anos e uma menina de 7, Tainara lutou pela vida desde o dia do atropelamento. Internada em estado gravíssimo, passou por uma sequência de cirurgias complexas. Em meio ao tratamento, teve as duas pernas amputadas abaixo do joelho e precisou de novos procedimentos para estabilizar a bacia e tratar ferimentos extensos. Apesar dos esforços médicos, o quadro se agravou nos dias que antecederam sua morte.
O advogado da família, Wilson Zaska, afirmou que Tainara era uma mulher dedicada, trabalhadora e muito querida por quem convivia com ela. Segundo ele, a brutalidade do crime causou impacto profundo não apenas nos parentes, mas em toda a comunidade.
Amigas de infância lembraram Tainara como alguém ligada à dança, à música e à alegria. Relatos emocionados destacaram a presença constante do sorriso e da leveza, contrastando com a violência que marcou seus últimos dias.
Douglas Alves da Silva foi preso na manhã seguinte ao crime e teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça. O Ministério Público apresentou denúncia e ele se tornou réu ainda no início de dezembro. Após a morte da vítima, o inquérito foi atualizado e passou a tratar o caso como feminicídio consumado.
A despedida de Tainara, além do luto, deixou um pedido coletivo por justiça e por ações que evitem que histórias como a dela se repitam nas ruas de São Paulo.